Stents farmacológicos de 2da geração, resultados em 2 anos em pacientes

Título Original: Clinical Outcome Following Stringent Discontinuation of Dual Anti-Platelet Therapy After 12 Months in Real-World Patients Treated With Second-Generation Zotarolimus-Eluting Resolute and Everolimus-Eluting Xience V Stents: Two-Year Follow-up of the Randomized TWENTE Trial. Referência: Keneth T, Hanim S, et al. J Am Coll Cardiol 2013. Article in press.

Nos últimos anos têm surgido novos stents eluidores de drogas com o objetivo de minimizar os principais inconvenientes dos stents de 1ra geração como ser a reestenose, a trombose e a conseguinte necessidade de revascularização do vaso tratado. O objetivo deste estudo foi comparar a eficácia e segurança de dois stents de segunda geração, o stent eluidor de zotarolimus RESOLUTE (ZES) e o stent eluidor de everolimus Xience V (EES). 

O que é inovador neste trabalho é que os autores escolheram uma população de pacientes que se assemelha bastante à vida real, com praticamente nenhum critério de exclusão (mas sim, foram excluídos os pacientes que ingressaram por IAM com elevação do ST), com um seguimento de 2 anos e uma estrita suspensão da terapia antiplaquetária dual a um ano do procedimento. 

Randomizaram-se um total de 1391 pacientes em uma relação 1:1 a receber tratamento com Resolute ZES (n= 697) o Xience V EES (n=694). Estabeleceu-se como critério de avaliação primário combinado a morte de causa cardiovascular, IAM relacionado ao vaso tratado e revascularização do vaso tratado. Neste ponto não houve diferenças significativas entre os dois grupos analisados (10.8% vs. 11.6%, p=0.65). Também se usaram como critérios de avaliação secundários a trombose definitiva, provável, e muito tardia. Os resultados foram similares para ambos os grupos sem diferenças significativas e com taxas encorajadoramente baixas: (0.9% vs 0.1%, p=0.12), (1.2% vs 1.4%, p=0.63) e (0.3% vs 0.3%, p= 1) respectivamente. Estes resultados foram consistentes em todos os subgrupos analisados.

Conclusão: 

Levando em conta que o percentual de pacientes que continuaram com terapia antiplaquetária dual além do ano foi tão baixo com 5.4% dos pacientes randomizados, este estudo nos demonstra que o uso de stents eluidores de drogas de segunda geração é eficaz e seguro e que não há diferenças clinicamente relevantes entre os dois stents estudados, incluso depois da descontinuação da terapia antiplaquetária dual.

Comentário editorial: 

Este trabalho nos oferece informação muito útil pois foi realizado em uma população de pacientes pouco selecionada, sem importar o comprimento, a morfologia nem o número de lesões, incluindo pacientes com indicações off-label para o implante de stents eluidores de drogas. Dá-nos um panorama muito mais parecido ao que ocorre na vida real do que costumam aportar os estudos clássicos. Os resultados são alentadores, já que nos mostram uma muito baixa taxa de trombose e infarto do vaso tratado que são, geralmente, os eventos mais temidos quando utilizamos estes stents. De modo que, novamente, isto é boa noticia para os cardiologistas intervencionistas. Porém é preciso levam em conta que isto não se aplica aos pacientes com IAM com elevação do ST. 

Gentileza Dra. María Sol Andrés.
Hospital Universitario Fundación Favaloro – Argentina.

Dra. María Sol Andrés para SOLACI.ORG

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