Cateterismo ou cirurgia para a oclusão da regurgitação paravalvar?

regurgitação paravalvar ocorre devido a uma aposição incompleta da prótese ao anel nativo com uma frequência de 5% nos pacientes com implante valvar mitral e de 10% naqueles com implante valvar aórtico. Essa complicação representa a disfunção valvar não estrutural mais frequente.

¿Cateterismo o cirugía para el cierre del leak paravalvular?

Embora as regurgitações leves possam ser assintomáticas, as moderadas a severas se associam a insuficiência cardíaca, anemia hemolítica e uma mortalidade alta a longo prazo.

 

A correção cirúrgica das regurgitações está indicada nesses pacientes e associa-se a uma melhor evolução quando comparada ao tratamento conservador.


Leia também: “Lesão de múltiplos vasos e doença carotídea severa: como proceder?”


A oclusão por cateterismo surgiu como uma alternativa para pacientes com alto risco de reoperação. Na maioria das séries e registros de um só centro o procedimento por cateterismo se associou a uma redução da severidade da regurgitação.

 

Com os avanços recentes nas técnicas percutâneas (mas também com a redução da mortalidade e da mortalidade da reoperação), hoje não temos evidência para escolher uma ou outra técnica para corrigir uma regurgitação paravalvar de grau severo.

 

Entre 1994 e 2014 foram incluídos 231 pacientes que receberam correção de uma regurgitação paravalvar de grau severo. Em 151 casos o ajuste se fez mediante uma nova cirurgia e em 80, por cateterismo.


Leia também: Fim da discussão sobre o impacto do marca-passo pós-TAVI?”


Utilizou-se propensity score para comparar os dois grupos e determinar o efeito de cada estratégia sobre a mortalidade por qualquer causa e as hospitalizações por insuficiência cardíaca a longo prazo.

 

Em um seguimento de 3,5 anos, a correção cirúrgica – em comparação com o tratamento por cateterismo – esteve associada a uma significativa redução da mortalidade e das hospitalizações por insuficiência cardíaca (HR: 0,28; IC 95%; 0,18 a 0,44; p < 0,001). Ao considerar somente mortalidade, observou-se uma tendência a favor da reoperação (HR: 0,61; IC 95%: 0,37 a 1,02; p = 0,06).

 

Conclusão

Em pacientes com regurgitação periprotésica significativa a reoperação se associou a um melhor resultado a longo prazo quando comparada com a redução de regurgitação por cateterismo, ainda que seja necessário assumir uma significativa mortalidade e morbidade perioperatória.

 

Comentário editorial

A relativa vantagem da cirurgia sobre o tratamento por cateterismo deve ser interpretada com precaução, dadas as significativas diferenças entre os grupos. Embora a vantagem tenha se mantido após o ajuste, sempre há a possibilidade de que tenham havido fatores de distorção que tenham passado inadvertidos, sobretudo tratando-se de duas populações com tantas diferenças.

 

Apesar da vantagem relativa da cirurgia, o risco perioperatório é alto e o benefício só se evidencia após um ano, motivo pelo qual é muito importante avaliar a expectativa de vida de cada paciente em particular.

 

Título original: Surgery Versus Transcatheter Interventions for Significant Paravalvular Prosthetic Leaks.

Referência: Xavier Millán et al. J Am Coll Cardiol Intv 2017;10:1959–69.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....

Quando considerar a oclusão do apêndice atrial esquerdo depois de um sangramento maior em contexto de fibrilação atrial?

A fibrilação atrial (FA) em pacientes que apresentam um sangramento maior representa um cenário clínico complexo no qual a oclusão percutânea do apêndice atrial...

Nova válvula aórtica balão-expansível: resultados de seguimento de 30 dias em pacientes com anel aórtico pequeno

À medida que o implante transcateter valvar aórtico (TAVI) se estende a pacientes cada vez mais jovens e com maior expectativa de vida, fatores...

TAVI em anel aórtico pequeno: válvula autoexpansível ou balão-expansível a longo prazo?

Os pacientes com anel aórtico pequeno (uma população predominantemente feminina e com maior risco de mismatch prótese-paciente) representam um subgrupo particularmente desafiador no que...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Espaço do Fellow 2026 – Envíe seu Caso

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) relança este ano o Espaço do Fellow 2026, uma...

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....