Infusão de células mononucleares de medula óssea no infarto agudo, meta-análise de tudo que foi publicado até a data.

Título original: Intracoronary stem cell infusion after acute myocardial infarction: a meta-analysis and update on clinical trials. Referência: de Jong R, Houtgraaf JH, Samiei S, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2014;Epub ahead of print.

Esta meta-análise incluiu 30 estudos randomizados realizados entre julho 2002 e setembro 2013 com um total de 2037 pacientes cursando um infarto agudo de miocárdio. Do total, 1218 pacientes foram tratados com infusão intracoronária ou intravenosa de células mononucleares derivadas da medula óssea (22 estudos), células mesenquimais (3 estudos), progenitores de medula óssea (4 estudos) e células derivadas de cardioesferas (1 estudo).

Nos estudos que utilizaram células mononucleares observou-se um incremento da fração de ejeção, diminuição do volume de fim de sístole e redução  do tamanho do infarto, porém estas diferenças não atingiram a significância estatística.

Na análise de subgrupo de 21 estudos randomizados que utilizaram células mononucleares derivadas de medula óssea observou-se aos 6 meses um incremento de 2.08% na fração de ejeção comparado com os controles e de 3.04% ao ano (p=0.008). Porém aos 36 meses e aos 60 meses pós procedimento o efeito se perde (1.19%; p=0.55). A diferença na fração de ejeção a favor do grupo que recebeu a infusão celular no corte dos 18 meses produziu-se mais por uma preservação nos valores deste parâmetro com respeito ao basal que por um aumento absoluto do mesmo, ao contrario do que ocorreu com o grupo controle onde a tendência foi a uma maior dilatação e deterioro.

A infusão de células progenitoras de medula óssea resultou em menos hospitalizações por insuficiência cardíaca (RR 0.14; IC 95%  0.04 a 0.52; p=0.003) e o transplante de células tronco mesenquimais reduziu a incidência de fibrilação/taquicardia ventricular (RR 0.08; IC 95% 0.01 a 0.79; p=0.03).

Conclusão

A infusão de células mononucleares derivadas de medula óssea em pacientes cursando um infarto agudo de miocárdio é segura mas não melhora a função cardíaca avaliada por ressonância magnética nuclear nem os parâmetros clínicos nesta população de pacientes.

Comentário editorial

Neste momento pacientes estão sendo recrutados na Alemanha para o estudo BAMI que tem planejado randomizar 3000 pacientes cursando um infarto agudo de miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST para contribuir mais informação, principalmente sobre desfechos clínicos.

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