Nos pacientes em hemodiálise os resultados dos stents liberadores de limus são similares aos dos liberadores de paclitaxel

Título original: Drug-eluting stents in patients on chronic haemodialysis: Paclitaxel-eluting stents vs. limus –eluting stents Referência: Gabriel l. Sardi, et al. Cardiovasc Revasc Med. 2014 Mar;15(2):86-91.

A insuficiência renal terminal em hemodiálise (HD) associa-se a doença coronariana e diabetes com a consequente necessidade de revascularização, que nesta população especial tem uma alta taxa de reestenose e mortalidade. 

Neste estudo, foram incluídos 218 pacientes com insuficiência renal crônica terminal em HD e doença coronariana, dos quais 156 receberam stents liberadores de sirolimus ou everolimus (LES) e 62 pacientes receberam stents liberadores de paclitaxel (PES).

O ponto final primário foi um combinado de morte, infarto e revascularização após 2 anos e o secundário foi a revascularização da lesão alvo (TLR), também após 2 anos. A idade média da população foi de 67 anos e 71% tornaram-se diabéticos (39% insulino-dependentes).

Não houve diferença no ponto final primário após dois anos (PES 62.7% vs. LES 58.3%; p=0.59). Numericamente, tanto TLR como morte atingiram a metade do grupo PES em um e dois anos, mas sem chegar a alcançar a significância estatística (6.8% vs. 12.4%; p=0.24  e 11.1% vs. 25.8%; p=0.06, respectivamente). 

Realizou-se uma análise de TLR ajustada pela taxa de mortalidade, desaparecendo o benefício em favor dos PES e sendo o único prognosticador de TLR em 2 anos o DBT. A necessidade de insulina não foi um prognosticador de TLR.

Conclusão

Os pacientes em hemodiálise apresentam uma alta taxa de revascularização da lesão alvo, apesar da utilização de stents farmacológicos. O uso de stents liberadores de paclitaxel não demostrou vantagem significativa sobre os liberadores de limus nesta população.

Comentário

Este estudo nos mostra que, nos pacientes em HD, o resultado dos PES e LES é similar (diferente de estudos prévios que favoreciam os PES) e ainda com uma taxa elevada de morte e reestenose. Talvez os stents bioabsorvíveis tenham algum papel na melhora da evolução ou diminuição das reintervenções.

Gentileza de Dr. Carlos Fava
Cardiologista Intervencionista
Fundación Favaloro – Buenos Aires

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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