A colchicina poderia diminuir a reestenose em pacientes diabéticos tratados com BMS

Título Original: Colchicine Treatment for the Prevention of Bare-Metal Stent Restenosis in Diabetic Patients. Referência: Spyridon Deftereos et al. J Am Coll Cardiol 2013;61:1679–85.

A reestenose intrastent é mais frequente nos pacientes (ptes) diabéticos pelo que especialmente esta população vê-se beneficiada com os stents farmacológicos. Porém, existe um subgrupo de estes pacientes que têm contraindicação para dupla antiagregação prolongada, seja por uma cirurgia programada, ou por um elevado risco de sangramento. A colchicina é uma droga com efeitos antiproliferativos e antiinflamatórios conhecidos e ambos efeitos poderiam, em teoria, diminuir as chances de reestenose intrastent. 

O objetivo foi testar o efeito da colchicina sobre a formação de neointima em ptes diabéticos que receberam stents metálicos (BMS). Foi um estudo duplo-cego, prospectivo e controlado com placebo. Os ptes elegíveis foram aqueles diabéticos que receberam BMS em artérias coronárias de pelo menos 2.5 mm de diâmetro por contraindicação dos stents farmacológicos.

Todas as angioplastias foram realizadas com controle por ultrassonografia intravascular coronária (IVUS), utilizando as imagens para otimizar a expansão e aposição. Realizou-se seguimento angiográfico e com IVUS aos 6 meses do procedimento, sendo a reestenose intrastent o critério de avaliação primário. Foram incluídos um total de 196 ptes diabéticos com contraindicação para receber stents farmacológicos randomizados 1:1 a colchicina ou placebo. As características basais da população foram bem equilibradas entre os dois ramos. A reestenose binária angiográfica foi 52% menor no grupo colchicina (OR 0.38, IC 0.18 a 0.79). Por IVUS os resultados foram similares com uma redução do risco relativo de 44% (OR 0.42, IC 0.22 a 0.81). A perda tardia de lúmen foi de 1.6 mm² para o grupo colchicina vs 2.9 mm² no grupo controle (p=0.002). Não foram observadas diferenças baseadas em critérios de avaliação clínicos.

Conclusão: 

A colchicina está associada com uma menor hiperplasia neointimal e uma redução da reestenose intrastent quando é administrada em pacientes diabéticos que receberam um stent convencional. Esta informação pode ser útil para os pacientes diabéticos com contraindicação para stents farmacológicos.

Comentário editorial: 

Os critérios de avaliação não foram clínicos, por isso seria interessante um estudo com mais pacientes para corroborar os dados já que a contraindicação para antiagregação prolongada é uma situação relativamente frequente. Observou-se uma importante diferença entre a reestenose binária e a revascularização da lesão alvo (24% vs 4%), isto poderia ser explicado pela frequência da isquemia silente nos diabéticos, a otimização do tratamento médico, e também porque a maioria das reestenoses (66.7%) tinham uma severidade menor que 70%.

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