Altas doses de estatinas podem reduzir o conteúdo lipídico em lesões severas

Título original: Changes in Plaque Lipid Content After Short-Term Intensive Versus Standard Statin Therapy. The YELLOW Trial (Reduction in Yellow Plaque by Aggressive Lipid-Lowering Therapy).  Referência: Annapoorna S. Kini et al. J Am Coll Cardiol 2013;62:21–9.

Múltiplos estudos têm demonstrado os benefícios das estatinas em reduzir todos os eventos, estabilizar as placas e melhorar a função endotelial. Com ultrassom intravascular coronário (IVUS) tem se apontado à redução no volumem de ateroma de placas não significativas logo da administração de estatinas, sem embargo seu efeito em placas severas é desconhecido.

O objetivo deste trabalho foi determinar o impacto do tratamento hipolipemiante intensivo sobre o conteúdo lipídico e a fisiologia de placas severas utilizando espectroscopia (NIRS = near-infrared spectroscopy), reserva fracionada de fluxo (FFR) e IVUS.

Randomizaram-se 87 pacientes a terapia hipolipemiante padrão vs intensiva (rosuvastatina 40 mg) nos que foi tratada, em forma programada, uma lesão culpada, mas que também apresentavam outras lesões com um diâmetro de estenose >70% e uma medição por FFR ≤ 0.8. Nenhuma destas lesões não culpadas recebeu angioplastia no momento da randomização. Depois de 6 a 8 semanas estas lesões não culpadas foram avaliadas novamente com angiografia, FFR, IVUS e NIRS prévio a qualquer angioplastia.

No final do seguimento os valores de colesterol resultaram significativamente mais baixos no grupo de terapia intensiva (123 ± 33.4 mg/dl vs 148.6 ± 34.5 mg/dl; p=0.001) porém tanto o percentual de estenose por angiografia como o valor de FFR resultaram similares em ambos grupos. A carga de lipídeos na placa avaliada com NIRS diminuiu, sim, com a terapia intensiva vs padrão (-32.2% vs -0.6% respectivamente; p=0.02).

Conclusão:

A terapia intensiva com estatinas durante um período curto de tempo parece reduzir o conteúdo lipídico de lesões consideradas severas, sem embargo o pequeno número da amostra e algumas diferenças nas características basais dos grupos impedem tirar mais conclusões.

Comentário editorial:

No total 6 pacientes melhoraram o FFR a um valor acima de 0.8 (2 no grupo padrão e 4 no grupo intensivo) e nenhum deles recebeu angioplastia  no seguimento, porém esta diferença não é suficiente para atingir a significância. Provavelmente com a terapia intensiva mais do que uma mudança no grau de obstrução se obtenha uma mudança na composição da placa, o que pode ter alguma importância levando em conta que os lipídeos são os mas trombogênicos de todos os componentes.

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