Seguimento final a 5 anos do estudo SYNTAX.

Título original: Coronary artery bypass grafting vs. percutaneous coronary intervention for patients with three-vessel disease: final five-year follow-up of the SYNTAX trial. Referência: Eur Heart J. 2014 May 21. pii: ehu213. (Epub ahead of print).

SYNTAX foi um dos maiores estudos randomizados que comparou os resultados clínicos a longo prazo da angioplastia com a cirurgia em pacientes com doença de múltiplos vasos e/ou lesão de tronco de coronária esquerda. A um ano não pode demonstrar a não inferioridade da angioplastia, sem embargo provavelmente o principal legado deste estudo seja o escore de SYNTAX. 

Logo da publicação do SYNTAX tanto os guias Europeus como os Americanos mudaram suas recomendações e surgiu a angioplastia como uma opção em aqueles pacientes com anatomia menos complexa (SYNTAX Score <23).

Agora são apresentados os resultados finais a 5 anos de 1095 pacientes com lesão de tronco de coronária esquerda e/ou múltiplos vasos randomizados a receber angioplastia com o stent eluidor de paclitaxel de 1a geração (Taxus) vs cirurgia de revascularização miocárdica.

Globalmente os pacientes que receberam angioplastia apresentaram uma taxa maior do end point combinado de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares MACCE (37,5 vs 24,2%; p< 0,001), do mesmo modo que uma taxa maior do combinado de morte/infarto/acidente vascular cerebral (22% vs 14%; p<0.001), morte de qualquer causa (14.6% vs 9.2%; p=0.006), infarto (9.2% vs 4%; p= 0.001) e revascularização repetida (25.4% vs 12.6%; p< 0.001). A taxa de acidente vascular cerebral  a 5 anos foi similar entre ambas estratégias (3% vs 3.5%; p=0.66).

Estes resultados globais foram modificados ao avaliar os dados de acordo à complexidade anatómica dado que nos pacientes com escore de SYNTAX baixo (0-22) ambos métodos resultaram com  similar taxa de MACCE (33.3% vs 26.8%; p= 0.21) mas com uma maior taxa de nova revascularização para aqueles que receberam angioplastia (25.4 vs 12.6%; p= 0.038).

Com relação aos escores intermediários (23-32) ou altos (≥23) a cirurgia de revascularização miocárdica mostrou ser superior em termos de MACCE, mortalidade, infarto e nova revascularização e estas diferenças resultaram inda maiores na população diabética.

Conclusão

A 5 anos a cirurgia demonstrou ser superior à angioplastia utilizando stents farmacológicos de 1a  geração em pacientes com doença coronária de múltiplos vasos. Em aqueles com Score de SYNTAX baixo a angioplastia resultou ser uma estratégia aceitável às custas de uma taxa de nova revascularização mais alta.

Comentário editorial

Frequentemente ocorre com os estudos de prazo tão longo que os dispositivos, as drogas ou as estratégias utilizadas no momento da randomização são obsoletas no momento da publicação. Isto é também certo para o estudo SYNTAX onde os stents farmacológicos de 1° geração utilizados já demonstraram ser inferiores em termos de trombose intrastent, redução do infarto e nova revascularização em comparação com dispositivos mais novos e que além disso a decisão de revascularizar ou não um vaso foi tomada com angiografia e não com reserva fracionada de fluxo (FFR) que também tem demonstrado reduzir os eventos. 

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