Resultados promissores de TAVR em válvula aórtica bicúspide

Título original: Transcatheter Aortic Valve Replacement in Bicuspid Aortic Valve Disease. Referência: Darren Mylotte, et al. J Am Coll Cardiol 2014;64:2330-9

A valva aórtica bicúspide (VAB) está presente entre 0,5% e 2% da população em geral e até 20% dos pacientes com idade superior a 80 anos que necessitam de cirurgia valvar aórtica. A literatura sobre Substituição da Válvula Aórtica Via Percutânea (TAVR) nesta patologia é limitada. Este estudo incluiu 139 pacientes com estenose aórtica grave, insuficiência aórtica ou ambos por VAB que receberam TAVR. O ponto final em 30 dias foi a segurança e eficácia do método, de acordo com os critérios VARC. As válvulas utilizadas foram; CoreValve em 91 pacientes e Sapiens em 48. O acesso femoral foi o mais frequente e implante foi bem sucedida em 98,6% dos pacientes. O diâmetro da válvula implantada era 27,8 ± 2 mm, o que requer pós dilatação em 25 pacientes e uma segunda válvula em cinco.

A mortalidade em 30 dias foi de 5%, miocárdio do 2,2%, acidente vascular cerebral 2,2%, sangramento com a vida ameaçada de 7,2% e maior complicação vascular 6,5%. Mortalidade de qualquer aos 6 e 12 meses foi de 9,6% e 17,5%, respectivamente. Aos 12 meses, 90% dos pacientes estavam em classe funcional I-II. Na análise multivariada, complicação vascular foi associado com maior mortalidade (OR: 5,66; IC 95%, 1,21-26,43; p = 0,03). A presença de regurgitação aórtica ≥2 a 30 dias foi observada em 28,4% da população. Em pacientes que válvula foi escolheu com base em medições multislice CT, regurgitação aórtica foi menos observada ≥2.

Conclusão

TAVR em válvula aórtica bicúspide é viável com resultados promissores, a curto e médio prazo. Tem uma maior incidência de regurgitação aórtica que poderia melhorar com uma medição mais precisa do anel, por meio de tomografia. Mais estudos são necessários para avaliar a longo prazo.

Comentário

VAB tem uma anatomia diferente com calcificação mais assimétrico e perturbação de arco aórtico dificultando o implante correto da válvula. Todos esses pontos fazem hoje o tratamento por TAVR desses pacientes para ser uma indicação off-label. Com válvulas atuais deste estudo apresentaram resultados satisfatórios, especialmente quando a anatomia é avaliada utilizando multislice CT. É necessário o desenvolvimento de válvulas para esta doença e mais estudos com seguimento mais longo. 

Cortesia de Dr. Carlos Fava
Cardiologista intervencionista
Fundação Favaloro
Buenos Aires – Argentina

Carlos Fava

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