Estratégia invasiva pós-infarto sem supradesnivelamento do ST: quando realizá-la?

Estratégia invasiva pós-infarto sem supradesnivelamento do ST

O objetivo desta metanálise – que incluiu todos os estudos randomizados até a data – foi comparar uma estratégia invasiva precoce vs. uma estratégia invasiva mais retardada em pacientes que foram admitidos cursando um infarto sem supradesnivelamento do segmento ST.

 

Embora esteja claro que a estratégia invasiva diminui a taxa de eventos como morte e reinfarto em pacientes que foram admitidos com uma síndrome coronária aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, ainda há controvérsia sobre o momento adequado da intervenção. O retardamento muito prolongado da intervenção poderia ser à custa de eventos na espera (principalmente recorrência anginosa e reinfarto) e apressar-se demasiadamente poderia se associar a eventos periprocedimento por tratar placas instáveis sem o efeito da medicação antiagregante plaquetária e anticoagulante.

 

Uma metanálise prévia sobre estratégia invasiva precoce vs. invasiva demorada havia incluído 7 trabalhos randomizados, mas pelo fato de haver surgido 3 novos estudos, o presente trabalho pretende atualizar a informação com um total de 10 estudos randomizados e 6.397 pacientes.

 

O tempo médio entre a randomização e a angiografia foi de 30 minutos a 14 horas no grupo invasivo precoce vs. 18,3 a 86 horas no grupo invasivo demorado.

 

Não foi observada diferença no desfecho primário de mortalidade (4% invasivo precoce vs. 4,7% demorado; IC 95%: 0,67 a 1,09; p = 0,20). A taxa de infarto agudo do miocárdio também foi similar (6,7% vs. 7,7%; IC 95%: 0,53 a 1,45; p = 0,62).

 

estratégia invasiva precoce se associou a uma redução na recorrência isquêmica e na angina refratária (3,8% vs. 5,8%; IC 95%: 0,40 a 0,74; p < 0,01) e também a uma menor estadia hospitalar (média 112 horas vs. 168 horas; p < 0,01).

 

O sangramento maior foi similar entre os 2 grupos (3,9% vs. 4,2%; p = 0,64).

 

Conclusão

Uma estratégia invasiva precoce não reduz o risco de morte ou infarto agudo do miocárdio comparando-se com uma estratégia demorada. O que sim, pôde-se observar, foi uma redução da estadia hospitalar e da recorrência anginosa.

 

Comentário editorial

O estudo RIDDLE-NSTEMI publicado em J Am Coll Cardiol Intv. 2016 randomizou 323 pacientes cursando um infarto sem supradesnivelamento do segmento ST a intervenção imediata (< 2 horas após a randomização) vs. intervenção postergada (2 a 72 horas após a randomização) e observou que, em 30 dias, o desfecho primário de morte e reinfarto foi menos frequente no grupo que recebeu intervenção imediata (4,3% vs. 13%; p = 0,008).

 

Este trabalho foi o primeiro em mostrar evidência a favor em pontos duros como morte ou infarto, mas com somente 323 pacientes incluídos e vários trabalhos randomizados, mais 2 metanálises (incluindo a presente) com resultados opostos parece não ser suficiente para mudar a prática diária.

 

Título original: Timing of Coronary Invasive Strategy in Non–ST-Segment Elevation Acute Coronary Syndromes and Clinical Outcomes And Updated Meta-Analysis.

Referência: Laurent Bonello et al. J Am Coll Cardiol Intv. 2016;9(22):2267-2276.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Revascularização híbrida vs. convencional em doença do tronco da coronária esquerda

A doença significativa do tronco da coronária esquerda (TCE) continua representando um desafio terapêutico, particularmente em pacientes com doença multivaso complexa e escores de...

Comparação de estratégias: NMA de IVUS, OCT ou angiografia em lesões complexas

A angioplastia coronariana (PCI) em lesões complexas continua representando um desafio técnico na cardiologia intervencionista contemporânea. Embora a angiografia seja a ferramenta mais utilizada...

Dynamic Coronary Roadmap: seu uso realmente ajuda a reduzir o uso de contraste?

A nefropatia induzida por contraste continua sendo uma complicação relevante nas intervenções coronarianas percutâneas (ICP), especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades e anatomias complexas....

Risco cardiovascular a longo prazo em pacientes com ANOCA: uma realidade clínica a considerar?

A angina crônica estável (ACE) continua sendo um dos motivos mais frequentes de encaminhamento a coronariografia diagnóstica (CCG). Em uma proporção significativa desses pacientes...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

TEER mais tratamento ótimo versus apenas tratamento médico na insuficiência mitral funcional

A insuficiência mitral (IM) é uma valvopatia muito prevalente que, em suas etapas avançadas e sem tratamento, provoca uma redução da qualidade de vida,...

Revascularização híbrida vs. convencional em doença do tronco da coronária esquerda

A doença significativa do tronco da coronária esquerda (TCE) continua representando um desafio terapêutico, particularmente em pacientes com doença multivaso complexa e escores de...

Capacitação Técnica em Hemodinâmica e Cardioangiologia Intervencionista 2026 | SOLACI-CACI

A Capacitação Técnica em Hemodinâmica e Cardioangiologia Intervencionista SOLACI–CACI é um programa acadêmico voltado à formação inicial e à atualização profissional de profissionais não...