Endoprótese de aorta abdominal, mortalidade mais baixa do que a cirurgia convencional em pacientes abaixo de 70 anos de idade.

Título original: Long Term Comparison of Endovascular and Repair of Abdominal Aortic Aneurysm (OVER TRIAL) Referência: Frank A. Lederle, et al. NEJM 367;24:1988-1997

Estudos randomizados demonstraram que a via endovascular reduz a mortalidade, mas a sua evolução remota ainda não está totalmente esclarecida. 

O objetivo foi analisar a evolução em longo prazo do implante de endoprótese (EVAR) em contraste com a cirurgia convencional (OR) no tratamento do aneurisma de aorta abdominal (AAA). É um estudo randomizado que incluiu 881 pacientes (444 no grupo EVAR e 437 no grupo OR). Os pacientes deveriam ter um AAA de pelo menos 50 mm para poder ser incluído no estudo. O desfecho primário foi a mortalidade por qualquer causa em longo prazo e o secundário foi a qualidade de vida e a disfunção erétil.

As características basais foram semelhantes em ambas as populações. No acompanhamento em longo prazo (8 anos) não houve diferença na mortalidade por qualquer causa nos dois grupos (32.9% em contraste com 33.4% p=0.81), tampouco houve diferença em mortalidade relacionada (2.3% contra 3.7% p=0.22). 

No desfecho secundário tampouco houve diferenças significativas. A sobrevivência em longo prazo nos pacientes com menos de 70 anos foi melhor no grupo EVAR (hazard ratio 0.65; 95% CI, 0.43 to 0.98; p=0.04); essa diferença não foi observada nos maiores de 70 anos (hazard ratio,1.31;95% CI; 0.99 a 1.73; p=0.06).

Conclusão: 

Nesse estudo randomizado, a resolução de um AAA infrarenal apresentou resultados similares com ambos os procedimentos em longo prazo. A sobrevivência foi melhor em pacientes

Comentário editorial: 

Nesse estudo multicêntrico randomizado sobre o tratamento dos AAA com EVAR em contraste com OR não ocorreram diferenças significativas em longo prazo na mortalidade dos pacientes; estes são resultados encorajadores visto que o implante de endoprótese aórtica diminui o tempo de internação, sendo por sua vez menos agressivo para o paciente com uma recuperação mais rápida e sem alterar a sua qualidade de vida em relação à cirurgia convencional. Chama a atenção o resultado nos pacientes maiores de 70 anos nos quais intuitivamente se teria esperado o maior benefício em relação à cirurgia. Seguramente no futuro com os novos dispositivos poderão ser tratados cada vez aneurismas mais complexos e com os mesmos ou melhores resultados. 

Cortesia da Dr. Carlos Fava
Cardiologista Invencionista
Fundación Favaloro – Argentina

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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