TAVI vs. válvulas cirúrgicas de “liberação rápida” em pacientes de baixo risco

As válvulas cirúrgicas de “liberação rápida” estão desenhadas para facilitar o trabalho dos cirurgiões, sobretudo se as compararmos com as válvulas biológicas convencionais que requerem múltiplos pontos de sutura (o que se traduz em tempos de bomba e clampagem). 

TAVI vs válvulas quirúrgicas de “liberación rápida” en pacientes de bajo riesgo

Essas válvulas encurtam os tempos cirúrgicos e são menos invasivas que as cirúrgicas convencionais. 

Salvo por esternotomia, compartilham muitos passos com o TAVI (por exemplo, o fato de serem expansíveis por balão) com a vantagem de, pelo fato de ter tudo à vista, o cirurgião não precisar de complexas tomografias e projeções para saber o tamanho; ele pode ver com exatidão o anel para o implante e pode solucionar facilmente uma obstrução coronariana, caso ocorra. 

Essas válvulas também compartilham com o TAVI o risco da necessidade de implante de marca-passo.

Os dados que tínhamos até agora sobre essas válvulas eram para pacientes de alto risco cirúrgico. Este novo trabalho testou os dois tipos de válvulas em pacientes de baixo risco. 

Foram incluídos um total de 806 pacientes consecutivos de baixo risco (EuroSCORE II < 4%) que foram submetidos a TAVI ou cirurgia com a válvula de liberação rápida. Utilizou-se propensity score, ficando 171 pares de pacientes com características basais semelhantes. O EuroSCORE II médio foi de 1,9% em ambos os grupos. 

Não foram observadas diferenças significativas em termos de mortalidade intra-hospitalar (cirurgia 4,1%, TAVI 1,8%, p = 0,199) nem em termos de AVC (2,3% vs. 2,9%; p = 0,736).


Leia também: AMULET IDE: Um novo estudo compara os dispositivos Watchman e Amulet e traz nova evidência.


As válvulas cirúrgicas de liberação rápida mostraram mais sangramentos (p < 0,001), mais fibrilação atrial (p < 0,001), mais gradiente transvalvar (p < 0,001) e menor taxa de implante de marca-passo (p = 0,01). 

Após um seguimento médio de 2 anos não houve diferenças em termos de mortes ou AVCs. A cirurgia se associou a mais internações por insuficiência cardíaca (p = 0,002).

Conclusão

Em pacientes com estenose aórtica de baixo risco o TAVI mostrou melhores resultados intra-hospitalares (excetuando-se a necessidades de implante de marca-passo) em comparação com as válvulas cirúrgicas de liberação rápida. 

Ambos os procedimentos mostraram uma mortalidade e taxa de AVC similar em 2 anos com algumas internações mais por insuficiência cardíaca nos pacientes que foram submetidos a cirurgia. 

Esses resultados só estendem o que já conhecíamos ao grupo de baixo risco. 

Título original: Midterm Outcomes Following Sutureless and Transcatheter Aortic Valve Replacement in Low-Risk Patients With Aortic Stenosis.

Referência: Victoria Vilalta et al. Circ Cardiovasc Interv. 2021 Oct 5;CIRCINTERVENTIONS121011120. Online ahead of print. doi: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.121.011120. 


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