Stents farmacológicos: dispositivo sem polímero superior a um stent de primeira geração

O estudo randomizado NEXT demonstrou a superioridade do stent coronariano sem polímero amphilimus sobre o stent com polímero permanente liberador de paclitaxel

O ensaio clínico NEXT (International Randomized Comparison Between DES Limus Carbostent and Taxus Drug-Eluting Stents in the Treatment of De Novo Coronary Lesions), é um estudo multicêntrico randomizado (n=296) que avaliou o desempenho do stent farmacológico (SF) coronariano sem polímero Cre8 (CID, Saluggia, Itália), liberador de amphilimus, comparado com o SF com polímero permanente Taxus Liberté (Boston Scientific, Natick, Massachusetts), liberador de paclitaxel. Este novo dispositivo está revestido de carbono (i-Carbonfilm); e possui pequenos reservatórios na cara externa, onde carrega o fármaco antiproliferativo amphilimus (derivado do sirolimus). Previamente, o implante do stent Cre8 em animais demonstrou uma ótima rendotelialização, um baixo nível de proliferação neointimal e ausência significativa de processo inflamatório. No estudo NEXT, o novo dispositivo resultou ser superior ao SF com polímero permanente em relação com o desfecho primário do estudo (perda angiográfica tardia intrastent após 6 meses de acompanhamento). Uma sub-análise em 48 pacientes submetidos a ultrassom intravascular (27 Cre8, Taxus 21) confirmou a sua superioridade. Após 12 meses de acompanhamento, a taxa de reintervenção da lesão tratada do novo dispositivo foi de 4,7% em comparação com 6,,1% com o controle (p=NS). Foram observados somente dois casos de trombose intrastent definitiva, um por grupo. A taxa de eventos cardíacos maiores (morte cardíaca, infarto e reintervenção) não mostrou diferenças significativas entres ambos os grupos.

Comentário

Os SF de primeira geração (com polímeros permanentes) mostraram oferecer um importante benefício, em termos de necessidade de reintervenção, especialmente em pacientes com alto risco de restenose. Porém, apresentaram uma taxa não desprezível de eventos trombóticos tardios1. Esses eventos foram detectados no contexto de um processo inflamatório crônico local e uma incompleta rendotelialização2,3, muitas vezes associado à presença de polímeros permanentes. O progresso no design das novas gerações tem sido enorme, com a introdução de mudanças na plataforma, no polímero e no fármaco. Novos protótipos de SF com polímeros neutros, bioabsorvíveis ou diretamente sem polímeros, permitiram um menor processo inflamatório local e uma diminuição da taxa de trombose tardia. O Cre8 constitui um SF de terceira geração capaz de sustentar a liberação do fármaco por um tempo prolongado, completando a liberação em 90 dias. A liberação prolongada se reflete em um potente efeito antiproliferativo. Ao mesmo tempo, a ausência de inflamação (por causa do revestimento passivo de carbono e da falta de polímero) prognostica um baixo risco de trombose tardia. Estudos com um maior número de pacientes e um acompanhamento mais longo poderão descobrir seu papel dentro da grande família dos SF disponíveis para a abordagem percutânea das lesões coronarianas.

1.McFadden EP, Stabile E, Regar E, et al. Late thrombosis in drug-eluting coronary stents after discontinuation of antiplatelet therapy. Lancet 2004;364:1519-21.

2.Finn AV, Joner M, Nakazawa G, et al. Pathological correlates of late drug-eluting stent thrombosis: strut coverage as a marker of endothelialization. Circulation 2007;115:2435-41.

3.Finn AV, Nakazawa G, Joner M, et al. Vascular responses to drug eluting stents: importance of delayed healing. Arterioscler Thromb Vasc Biol 2007;27:1500-10.

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