Angioplastia ambulatorial por acesso radial

Título original: Ambulatory Transradial Percutaneous Coronary Intervention: A Safe, Effective, and Cost-Saving Strategy. Referência: Philippe Le Corvoisier et al. Catheterization and Cardiovascular Interventions 81:15–23 (2013).

O número de angioplastias (ATC) tem aumentado e para muitos centros intervencionistas as internações para ATC significam um consumo significativo de recursos. Diminuir a permanência hospitalar poderia diminuir os custos e otimizar os recursos de internação. 

A segurança da alta no mesmo dia após uma ATC deve ser estabelecida antes de aplicá-la à prática diária. O objetivo desse estudo prospectivo e multicêntrico foi o de determinar a segurança, custos e aceitação por parte dos pacientes da ATC por acesso radial realizada em forma ambulatorial. O estudo, realizado em três centros de alto volume da França, avaliou 370 pacientes consecutivos com angina crônica estável ou isquemia silenciosa para cinecoronariografia seguida de ATC e posterior alta no mesmo dia. Dos 370 pacientes avaliados, 220 foram selecionados para uma observação de 4 a 6 horas e alta subsequente. Os critérios para este procedimento foram os seguintes:

Critérios de inclusão

•Idade superior a 18 anos.

•Angina estável ou isquemia silenciosa.

Critérios de exclusão

•Critérios clínicos

Síndromes coronárias agudas, Insuficiência cardíaca sintomática e/ou fração de ejeção <35%, Insuficiência renal crônica severa (clearence de creatinina

•Critérios sociais

Dúvidas quanto à aceitação do paciente, Residência a mais de 60 minutos de distância do hospital, Atendimento inadequado em casa.

•Critérios relacionados à angioplastia

Acesso diferente do radial, Uso de inibidores da glicoproteína IIBIIIA, Fluxo TIMI final < 3, Oclusão de um ramo> a 1 mmm, Dor torácica persistente, Instabilidade hemodinâmica durante o procedimento, Arritmia ventricular durante o procedimento, Procedimento concluído após 2 horas da tarde.

Dos 220 pacientes, finalmente 213 (96,8%) receberam alta após um período de observação de 4 a 6 h. Permaneceram internados quatro pacientes (1,8%) por razões cardiovasculares e três pacientes (1,4%) por razões não cardiovasculares. No acompanhamento em um mês, um paciente apresentou um infarto não fatal no 4° dia, por trombose do stent, e três pacientes foram reinternados por dor torácica atípica, sem alterações no eletrocardiograma nem elevação de troponinas. 87% dos pacientes relataram estar muito satisfeitos com o procedimento ambulatorial e 96% deles o aceitariam novamente.

Conclusão: 

A angioplastia coronária ambulatorial em pacientes estáveis é segura, viável e bem aceita pelos pacientes. É uma estratégia promissora para reduzir custos e otimizar os recursos da saúde.

Comentário editorial: 

Com a limitação de ser observacional, o que impede identificar fatores preditores de eventos, continua proporcionando evidência para levar a angioplastia ambulatorial para a prática diária. Incluiu um número significativo de pacientes com múltiplos vasos, bifurcações e recanalizações visto que todas as angioplastias foram ad hoc o que lhe proporciona importante validade externa e prova de que poderia ser facilmente aplicada. Talvez inicialmente devam ser incluídas as angioplastias mais simples e, após adquirir experiência, motivar-se a incluir todas, como foi feito no presente estudo.

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