A insuficiência aórtica tem prognóstico ruim no TAVI.

Título original: Impact of Post-Procedural Aortic Regurgitation on Mortality Alter Trancatheter Aortic Valve Implantation Referência: Kentaro Hayashida, et al. J Am Coll Interv 2012;5:1247-56

O implante percutâneo da válvula aórtica (TAVI) surgiu como uma estratégia válida para os pacientes com estenose aórtica grave com elevado risco cirúrgico. 

O grau de insuficiência aórtica residual (IAO R) e a pós-dilatação ainda hoje são um problema não resolvido. Entre outubro de 2006 e outubro de 2011, foram submetidos 400 pacientes consecutivos. Os pacientes que apresentaram IAO R foram dividiu em três grupos: grau 0-1 Grupo 1 (G1) 99 pacientes, grau 2 Grupo 2 (G2) 89 pacientes e grau 3-4 Grupo 3 (G3) 12 pacientes.

A válvula implantada foi a Edwards (Edwards Lifesciences, Irvine, Califórnia) em 86.8% e CoreValve (Medtronic, Mineápolis, Minnesota) em 13.2%. Não foram observadas diferenças entre os grupos no diâmetro da válvula implantada. A pós-dilatação e a regurgitação mitral foram significativamente mais frequentes no G3. Curiosamente, o grau de regurgitação mitral após procedimento aumentou concomitantemente ao grau de insuficiência aórtica.

A mortalidade em 30 dias foi de 9,5%, sem diferença em mortalidade, insuficiência renal ou complicações vasculares graves entre os grupos. O acompanhamento foi de 297 dias (101-607), 109 pacientes faleceram (64 G1, 36 G2 e 9 G3). A mortalidade em dois anos foi de 28%, 40.4% e 75%, respectivamente. O G3 teve evolução significativamente pior. A IAO R foi um preditor independente de mortalidade no médio prazo.

Conclusão: 

A presença de IAO R >2 se associa a uma evolução pior em médio prazo, sendo muito importante a seleção da válvula implantada e a pós-dilatação, quando necessária, talvez contribua para a solução do problema.

Comentário editorial: 

Este Estudo é importante visto que com um número pequeno de pacientes, evidencia que a IAO R >2 está relacionada com evolução ruim em médio prazo, o que muito importante na hora de decidir o implante de uma válvula percutânea para planejar uma estratégia correta. Seria de grande utilidade se estivesses disponíveis preditores anatômicos que prognosticasse a presença de IAO após o implante; isto nos proporcionaria ferramentas para planejar a estratégia e facilitaria o desenvolvimento de melhores dispositivos valvulares. 

Cortesia Dr. Carlos Fava
Cardiologista Intervencionista.
Fundação Favaloro. Argentina.

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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