Tromboaspiração em infarto agudo, sem benefício a 30 dias.

Título original: Thrombus Aspiration during ST-Segment Elevation Myocardial Infarction. TASTE trial. Referencia: Ole Fröbert et al. N Engl J Med 2013. DOI: 10.1056/NEJMoa1308789

Um dos maiores desafios da angioplastia primária é restabelecer o fluxo coronário normal. A tromboaspiração é um procedimento relativamente simples, rápido e barato que pode melhorar o fluxo e a resolução do ST, porém, isto não tem sido um achado universal nos trabalhos randomizados, registros ou meta análises publicados até agora.

O TASTE (Thrombus Aspiration in ST-Elevation Myocardial Infarction in Scandinavia) foi um estudo multicêntrico, randomizado, prospectivo e controlado desenhado para avaliar o efeito da tromboaspiração sobre critérios de avaliação clínicos duros em pacientes cursando um infarto com supradesnivelamento do segmento ST.

O critério de avaliação primária foi a morte por qualquer causa a 30 dias  e os secundários incluíram a taxa a 30 dias  de reinfarto, trombose do stent, revascularização do vaso, revascularização da lesão e um combinado de morte e reinfarto.

No total 7244 pacientes foram randomizados 1:1 a tromboaspiração manual vs angioplastia somente. A 30 dias  faleceram 2.8% (103 de 3621) dos randomizados a tromboaspiração vs 3% (110 de 3623) dos pacientes randomizados a angioplastia somente (HR com tromboaspiração 0.94; IC 95%, 0.72 a 1.22; p = 0.63).

A taxa de re infarto a 30 dias  foi de 0.5% com trombo aspiração vs 0.9% com angioplastia somente (HR 0.61; 95% IC, 0.34 a 1.07; p = 0.09). As taxas de trombose do stent, revascularização do vaso e da lesão  não tiveram diferenças significativas entre os grupos.

Também não foram observadas diferenças em critério de avaliação de segurança como embolia sistémica, stroke, perfuração ou tamponamento. O resultado em critério de avaliação primário foi consistente em todos os subgrupos pré-especificados, incluindo aqueles com alto risco de trombose como os que ingressaram com  fluxo TIMI 0-1 ou os que apresentavam grande quantidade de trombo.

Conclusão: 

A aspiração de rotina comparada com a angioplastia somente não reduz a mortalidade a 30 dias  em pacientes cursando um infarto com supradesnivelamento do segmento ST.

Comentário editorial:

Dado que a presente análise limitou-se a um seguimento de 30 dias  é possível que não tenham sido observadas diferenças clínicas que poderiam ser evidentes com um seguimento mais prolongado. De fato o beneficio em mortalidade observado no estudo TAPAS foi observado somente após um ano. O TAPAS também observou uma tendência a maior stroke com a tromboaspiração (esta complicação espera-se que sim aconteça imediatamente se estivesse relacionada à tromboaspiração), sem embargo, a presente análise com muitíssimos mais pacientes que o TAPAS não mostrou diferenças.

A simplicidade, rapidez e baixo custo de tromboaspirar somado à ausência de efeitos adversos faz pensar que deveria ser esperado um seguimento mais longo antes de se abandonar esta prática.

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