Revascularização completa em infarto agudo. 1° la lesão responsável, logo todas as demais.

Título original: Randomized Trial of Preventive Angioplasty in Myocardial Infarction (PRAMI trial). Referencia: David S. Wald et al. N Engl J Med 2013.DOI: 10.1056/NEJMoa1305520.

Os pacientes cursando um infarto com  supradesnível do segmento ST são efetivamente tratados com  angioplastia primária à artéria responsável. Não está claro se revascularizar outras lesões significativas em vasos no responsáveis previne futuros eventos e de fato as guias o desaconselham excetuando quando ao se encontrar no contexto de choque. 

O objetivo deste trabalho randomizado e simples cego foi avaliar se realizar angioplastia preventiva em outras lesões como parte da angioplastia primária à artéria responsável poderia diminuir o combinado de morte cardíaca, infarto ou angina refratária.

Entre 2008 e 2013 foram incluídos 465 pacientes cursando um infarto com  supradesnível do segmento ST cuja artéria responsável foi tratada com êxito e que além do mais apresentavam outras lesões ≥50% possíveis de revascularizar somado a estabilidade hemodinâmica (foram incluídos os pacientes com  lesão de tronco de coronária esquerda, oclusões totais crônicas e choque cardiogênico). Uma vez completada a angioplastia primária se randomizaram a angioplastia preventiva imediata do resto das lesões ou a dar por finalizado o procedimento.

A angioplastia em etapas foi desaconselhada e a única razão para revascularizar lesões não responsáveis no grupo controle foi a angina refratária com  isquemia demonstrada. Em 24 de janeiro de 2013 o estudo foi detido precocemente por recomendação do comité de segurança dada a significativa diferença no critério de avaliação primário em favor do grupo angioplastia preventiva.

Ao fechamento do estudo e com  um seguimento médio de 23 meses o objetivo primário (combinado morte cardíaca, infarto y angina refratária) observou-se em 21 de 234 pacientes no grupo angioplastia preventiva vs 53 de 231 pacientes no grupo controle (RR 0.35, IC 0.21–0.58; p <0.001). O efetio foi de magnitude similar e altamente significativo ao realizar a análise considerando somente a morte cardíaca e o infarto (RR 0.36, IC 0.18–0.73; p= 0.004).

Conclusão:

Neste trabalho randomizado observou-se que logo de uma angioplastia primária exitosa, realizar concomitantemente no mesmo procedimento angioplastia preventiva a outras artérias com  lesões significativas mas não responsáveis do infarto, reduz o risco de eventos cardiovasculares adversos comparado com  a angioplastia limitada somente à artéria responsável.

Comentário editorial

Este trabalho não responde à pergunta sobre a angioplastia diferida (prática habitual em muitos centros), onde é realizada a angioplastia primária somente à artéria responsável mas na mesma internação (48-72 h depois) se completa a revascularização dos vasos não responsáveis. Neste sentido o protocolo foi muito rígido permitindo a angioplastia a outros vasos do grupo controle só no contexto de angina refratária e com  isquemia objetivada. 

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