Diferença na mortalidade com cirurgia vs angioplastia em diabéticos com múltiplos vasos

Título original: Comparison of coronary artery bypass surgery and percutaneous coronary intervention in patients with diabetes: A meta-analysis of randomized controlled trials. Referência: Verma S. et al. Lancet Diabetes Endocrinol. 2013;Epub ahead of print.

O estudo FREEDOM foi o último dos estudos randomizados que comparou os resultados da angioplastia coronária vs a cirurgia em pacientes diabéticos com múltiplos vasos mostrando uma redução do risco relativo de morte, infarto e acidente vascular cerebral  de 30% em favor da cirurgia. Embora os resultados deste trabalho foram claros, estudos prévios todavia deixavam alguma margem de dúvidas, especialmente para critérios de avaliação duros como morte.

O presente trabalho é uma meta-análise de 8 estudos controlados que randomizaram pacientes diabéticos com múltiplos vasos a cirurgia ou angioplastia. Do total dos trabalhos analisados, 4 utilizaram stents convencionais (ERACI II, ARTS, SoS e MASS II) e 4 stents farmacológicos (FREEDOM, SYNTAX, VA CARDS e CARDia).

A 5 anos de seguimento observou-se uma menor taxa de mortalidade com cirurgia (RR 0.67, IC 0.52 a 0.86; p= 0.002) que não foi evidente ao ano (RR 0.99, IC 0.72 a 1.37; p=0.97). A diferencia em mortalidade em favor da cirurgia foi similar independente do tipo de stent utilizado (BMS o DES).

A taxa de infarto não fatal resultou similar tanto a um ano como a cinco anos entre as duas estratégias (RR 1.01; p=0.98 y RR 0.76; p=0.3 respectivamente). A cirurgia esteve associada a um maior risco de acidente vascular cerebral especialmente no seguimento ao ano (RR 2.4; p=0.01 ao ano e RR 1.72; p=0.005 aos 5 anos).

Como era esperável, a maior diferença está dada pela taxa de revascularização que beneficia significativamente à cirurgia desde o começo do seguimento (RR 0.36; p<0.0001 y RR 0.41; p<0.0001 respectivamente). Segundo esta meta-análise a diferença em mortalidade desaparece ao comparar cirurgia e angioplastia em pacientes não diabéticos (RR 1.03, IC 0.77 a 1.37; p=0.78).

Conclusão:

A revascularização cirúrgica de pacientes diabéticos com múltiplos vasos diminui a mortalidade a longo prazo em aproximadamente um terço em comparação com a angioplastia independentemente do tipo de stent utilizado.

Comentário editorial:

Lamentavelmente não é possível fazer uma análise da complexidade anatómica já que o escore de SYNTAX foi introduzido posteriormente à publicação de vários dos trabalhos analisados. Estes achados não necessariamente devem ser traduzidos em cirurgia para todos os diabéticos dado que a presença de 3 vasos é muito heterogénea. A discussão, em equipe, de cada caso em particular e a opinião do paciente são fundamentais.

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