Utilidade do FFR em lesões intermediárias de pontes de safena (bypass) coronarianas

Título original: Long-term clinical outcome after fractional flow reserve– versus angio-guided percutaneous coronary intervention in patients with intermediate stenosis of coronary artery bypass grafts. Referência: Luigi Di Serafino et al. Am Heart J 2013;166:110-8.

A angioplastia em cirurgia de pontes de safena coronarianas é frequentemente a estratégia preferida vs uma ré cirurgia, porém está associada a uma maior quantidade de eventos tanto a curto como a longo prazo comparado com a angioplastia em vasos nativos.

O procedimento é geralmente mais más dificultoso dada a maior quantidade de comorbidades dos pacientes e a complexidade das lesões pelo que é fundamental contrabalançar o custo/benefício especialmente em lesões intermediárias.  A reserva de fluxo fracionado (FFR) tem demonstrado melhorar os resultados em artérias nativas mas até o momento não havia evidência para a sua utilização em pontes de safena coronarianas.

Foram consideradas lesões intermediárias aquelas com uma porcentagem de estenose entre 40% e 70% por estimação visual. Se excluíram os pacientes com lesões em tandem da ponte, lesões da artéria nativa distal à anastomose e as pontes sequenciais.

Os pacientes da rama guiada por FFR receberam angioplastia só no caso de apresentarem um FFR ≤ 0.8. No total foram registrados 223 pacientes, dos quais 65 receberam FFR e 158 foram guiados por angiografia. A lesão índice no grupo FFR esteve mais frequentemente em pontes arteriais e na severidade das lesões intermediárias foi maior no grupo guiado por angiografia. 

No grupo FFR, 23 pacientes (35%) receberam angioplastia (FFR 0.68 ± 0.09) e o resto tratamento médico ótimo (FFR 0.92 ± 0.05; p= 0.01 vs os que receberam angioplastia).  No grupo guiado por angiografia, 90 pacientes (57%) receberam angioplastia (% de estenose por angiografia quantitativa 56.8 ± 13.7) e o resto tratamento médico (% de estenose por angiografia quantitativa 41.7 ± 9; p=0.01 vs os que receberam angioplastia).

O grupo FFR recebeu significativamente menor quantidade de stents que o grupo guiado por angiografia. No seguimento a 3.8 anos o grupo guiado por FFR mostrou uma menor taxa de eventos combinados (morte, infarto, acidente cerebrovascular, revascularização) que o grupo angiográfico (28 vs 51%, HR 0.46, IC 0.28-0.77; p=0.003). Esta diferença manteve-se logo de realizar um ajuste por propensity score.

A vantagem do FFR esteve principalmente nas pontes arteriais, já que ao considerar somente as pontes de safena não foram observadas diferenças entre os grupos.

Conclusão:

La revascularização guiada por FFR nos pacientes com cirurgia de revascularização miocárdica prévia e lesões intermediárias em pontes arteriais resultou em melhores resultados clínicos comparada com a guiada por angiografia. Para as lesões intermediárias em pontes venosas os resultados foram similares entre as duas estratégias.

Comentário editorial

 No grupo guiado por angiografia se trataram significativamente mais pontes venosas e estas apresentavam por sua vez lesões (embora entrassem na definição de intermediárias) com uma porcentagem de estenose maior aos do grupo guiado por FFR. Isto s;o poderia explicar a diferença em eventos.  

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