A substituição valvular aórtica percutânea mostrou melhores resultados que a cirurgia convencional em pacientes diabéticos de alto risco.

Titulo original: Transcatheter Versus Surgical Aortic Valve Replacement in Patients With Diabetes and Severe Aortic Stenosis at High Risk for Surgery An Analysis of the PARTNER Trial (Placement of Aortic Transcatheter Valve). Referência: Lindman BR et al. J Am Coll Cardiol. 2014 Mar 25;63(11):1090-9.

A diabetes é associada a uma maior morbidade e mortalidade depois da substituição valvular aórtica cirúrgica (RVA) em pacientes com estenose aórtica severa. O objetivo deste estudo foi determinar se um enfoque menos invasivo para a substituição valvular aórtica melhora os resultados clínicos nos pacientes diabéticos com estenose aórtica severa (EA).

Foram analisados os resultados pós operatórios dos pacientes diabéticos com  estenose aórtica severa sintomática de alto risco cirúrgico incluídos no estudo PARTNER   TRIAL, os quais foram randomizados a substituição valvular percutânea (TAVR) vs substituição cirúrgica. O desfecho final primário foi a mortalidade por qualquer causa a 1 ano.

Entre os 657 pacientes que participaram na coorte A do PARTNER TRIAL, houve 275 com diagnóstico de diabetes (145 na rama TAVR e 130 na rama cirúrgica). Foi observada uma interação significativa entre a diabetes e o grupo tratado para o desfecho final primário de mortalidade por qualquer causa a 1 ano (p= 0.048). 

Entre os pacientes diabéticos, a mortalidade por todas as causas a 1 ano foi de 18% no grupo TAVR e de 27.4% no  grupo cirúrgico (HR 0.60; IC 95 % 0.36 a 0.99; p=0.04). Os resultados foram consistentes entre os pacientes tratados tanto  por via transfemoral  como transapical.  

Em contraste, os pacientes não diabéticos, não mostraram diferença significativa na mortalidade por qualquer causa a 1 ano (p = 0,48) entre o grupo transcateter  e cirúrgico. Nos pacientes diabéticos, a taxa de acidente vascular cerebral a 1 ano resultou similar entre os grupos (3.5 % grupo transcateter vs 3.5 % grupo cirurgia; p = 0.88). A taxa de insuficiência renal com requerimento de diálise > 30 dias foi menor no grupo percutânea (0 % vs 6,1 %, p = 0,003).

Conclusão 

Entre os pacientes diabéticos com estenose aórtica severa sintomática e alto risco cirúrgico, esta análise post- hoc do estudo PARTNER sugere que há um beneficio na sobrevida e na taxa de insuficiência renal, sem incrementar os acidentes vasculares cerebrais, com a substituição transcateter em comparação com a substituição cirúrgica.

Comentário Editorial

A substituição da válvula  aórtica em forma cirúrgica implica a cardioplegia, conexão em bomba de circulação extracorpórea e a conseguinte lesão por reperfusão, o que pode causar estresse oxidativo e inflamação com a conseguinte isquemia de miocárdio. Provavelmente esta situação  seja muito mais agressiva que  a estimulação ventricular rápida realizada durante o implante transcateter. 

Em pacientes com diabetes, esta situação adversa  poderia  ser intensificada tendo consequências a longo prazo sobre o rendimento cardiovascular e os resultados clínicos depois da substituição da válvula aórtica. O mesmo cenário se produz no nível renal. Se acrescentamos a isso que se trata de pacientes de alto risco cirúrgico as diferenças são mais notáveis.

Gentileza Dr Matias Sztejfman.
Cardiologista Intervencionista.
Sanatório Güemes.
Buenos Aires, Argentina.

Dr. Matías Sztejfman

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