O retardamento entre a indicação e a realização do procedimento diminuem a efetividade da substituição valvular aórtica percutânea

Título original: Impact of wait times on the effectiveness of transcatheter aortic-valve replacement (TAVR) in severe aortic valve disease: a discrete event simulation model. Referência: Wijeysundera HC et al. Can J Cardiol. 2014; Epub ahead of print.

Uma vez que os pacientes são aceitos para substituição valvular aórtica percutânea (TAVR), quanto maior é a espera para receber a válvula, maior é o risco de morrer periprocedimento ou dentro do ano. 

Aos dados do estudo PARTNER que utilizou a válvula balão expansível Edwards Sapien, lhes foi aplicado um modelo matemático para simular o risco de morte de acordo ao tempo que transcorreu (de 10 a 180 dias) entre completar os estudos diagnósticos para aceitar o paciente como candidato a TAVR e o momento em que o procedimento foi realizado.

O risco diário de morrer, tanto periprocedimento como dentro do ano pós implante se incrementou progressivamente com o maior tempo de espera, mostrando uma diferença de até 27% entre a espera menor e a mais longa para os pacientes inoperáveis (10 dias de espera 1.9% de risco, 60 dias 10.7% e 180 dias 28.9%) e de até 20% de diferença nos pacientes de alto risco (10 dias 2.2% de risco, 60 dias 8.1% e 180 dias 22.4%).

Como contraste ao anterior, a espera e o risco de mortalidade foram relativamente estáveis para aqueles que receberam tratamento médico ou cirurgia respectivamente.

Na coorte inoperável, a maioria dos pacientes que receberam TAVR (99.2%) mostraram menor mortalidade que aqueles que receberam tratamento médico para além de quanto tiveram que esperar para o procedimento. 

Na coorte de alto risco, quando o tempo de espera excedeu os 60 dias, os pacientes que receberam TAVR mostraram maior mortalidade que aqueles que receberam cirurgia.

Com tempos de espera maiores a 180 dias, a não inferioridade entre TAVR e cirurgia demonstrada no PARTNER A se perdeu em quase a metade dos pacientes.

Conclusão

Incrementos modestos no tempo de espera até a substituição valvular aórtica percutânea têm um impacto significativo sobre a mortalidade tanto na coorte inoperável como na de alto risco.

Comentário editorial

Os achados deste trabalho são especialmente importantes para aqueles pacientes que poderiam ser candidatos tanto à cirurgia como a TVAR, já que a perda de tempo poderia fazer pender a balança em favor da cirurgia.

SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

Embolização de dispositivos de oclusão do apêndice atrial esquerdo: preditores, prevenção e estratégias de manejo

A fibrilação atrial se associa com um aumento do risco de AVC e, em pacientes com contraindicação para anticoagulação, a oclusão percutânea do apêndice...

Revascularização coronariana prévia ao TAVI: PCI prévia ou manejo conservador?

A coexistência de doença coronariana (DAC) em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI é frequente, com uma prevalência relatada de entre 30%...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...

ACVC 2026 | Registro FLASH coorte europeia: trombectomia mecânica em TEP

O manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) de risco intermediário-alto e alto continua sendo uma área de incerteza terapêutica, especialmente em pacientes com disfunção do...