Oclusão do apêndice atrial esquerdo: prevenção de AVC em pacientes com fibrilação atrial e hemorragia cerebral prévia

Título original: LAA occlusion vs. standard care in patients with atrial fibrillation and intracerebral hemorrhage – A propensity score matched follow-up study.
Dissertante: Jens Erik Nielsen-Kudsk

Os pacientes com fibrilação atrial e o antecedente de uma hemorragia cerebral têm um risco elevado tanto de sofrer acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico como hemorrágico. Não há consenso sobre como tratar este tipo de pacientes já que a anticoagulação necessária por causa da fibrilação atrial obviamente aumenta o risco de um novo evento hemorrágico intracerebral. A oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo poderia trazer um benefício neste grupo de pacientes.

Para o estudo se utilizou o propensity score a fim de equiparar o risco de sangramento e o risco isquêmico entre o grupo que recebeu a oclusão do apêndice e o grupo randomizado a tratamento médico. O grupo no qual se ocluiu o apêndice atrial esquerdo se compôs de 172 pacientes tratados entre 2009 e 2015 com os dispositivos Amplatzer Cardiac Plug (ACP) e Amplatzer Amuleto (St. Jude Medical). O grupo de controle se compôs de 784 pacientes com fibrilação atrial e sangramento intracerebral que sobreviveram pelo menos 180 dias à internação por sangramento entre 2005 e 2014.

O sucesso do procedimento foi de 97,7% com 4% de complicações (1 sangramento por hematêmese, 3 sangramentos vasculares pelo acesso, 1 migração do dispositivo e 1 derrame pericárdico). O seguimento médio foi de 166 dias. O grupo de pacientes com fibrilação atrial e antecedente de sangramento cerebral que recebeu a oclusão do apêndice atrial esquerdo teve um menor risco de eventos combinados (RR 0,19), menor mortalidade (RR 0,08) menor AVC (RR 0,35) e menor sangramento (RR 0,39).

Conclusão
Os dados do estudo sugerem que a oclusão do apêndice atrial esquerdo pode trazer benefícios a esta população de pacientes com fibrilação atrial e antecedente de acidente vascular cerebral hemorrágico. Um estudo clínico randomizado (STROKECLOSE) terá início este ano para confirmar os resultados.

 

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