Estratégia invasiva precoce para síndromes coronarianas agudas em doença renal crônica

Estudos randomizados prévios e revisões sistemáticas mostraram previamente que a abordagem invasiva precoce (dentro das 24 horas do diagnóstico) não reduz a mortalidade em todas as populações com síndrome coronariana aguda sem elevação do ST (SCASEST). Por isso a importância da estratificação do risco, evidenciando que os pacientes com GRACE superior a 140 melhoram em termos dos desfechos propostos. 

Estrategia invasiva temprana para síndromes coronarios agudos en enfermedad renal crónica

Aproximadamente 40% dos pacientes com SACASEST possuem doença renal crônica (ERC) em seus distintos estágios. No entanto, nas últimas diretrizes de SCA da Sociedade Europeia de Cardiologia não foram feitos postulados específicos sobre o tratamento desses pacientes. Em algum desses casos, postergar a realização da coronariografia poderia melhorar a administração suficiente de hidratação e uma correta preparação prévia. 

O objetivo deste estudo foi averiguar a relação entre uma estratégia invasiva precoce e mortalidade em uma coorte de pacientes com ERC e SCASEST

Fez-se uma análise retrospectiva de todos os pacientes com SCASEST, que foram submetidos a uma estratégia invasiva do Sheba Medical Center (Israel). O desfecho primário foi a mortalidade por todas as causas. 

Dos 7107 pacientes com SCASEST, decidiu-se uma estratégia invasiva em 50% dos casos (3259 pacientes). A idade média foi de 66 ± 11 anos, com 77% da população composta por homens. 1837 pacientes (52%) foram submetidos a coronariografia dentro das 24 horas. 

Leia também: Dissecção coronariana espontânea: qual é o tratamento e prognóstico?

No grupo invasivo precoce houve mais jovens e com menos comorbidades, melhor função renal e maiores valores de troponina. Por sua vez, observou-se menor índice de doença multivaso/tronco da coronária nos pacientes da intervenção precoce (33% vs. 40%; p < 0.001).

No seguimento médio de 4 anos, 15% dos pacientes morreram e a mortalidade em 30 dias foi maior nos pacientes com ERC em ambos os grupos. Durante o seguimento, os índices de função renal mais baixos se associaram a pior sobrevida; os pacientes com ERC moderada a severa tinham 66% mais de probabilidade de morrer em comparação com a população com ERC leve ou ausente (IC 95%: 1,3-2,1; p < 0,001). Aqueles pacientes com doença severa tinham 4 vezes mais probabilidade de morrer (IC 95%: 3,0-5,3; p < 0,001). 

Depois de fazer uma análise de probabilidade inversa de tratamento (IPWT), a estratégia invasiva se associou a 30% menos de mortalidade (IC 95%: 0,56-0,85; p < 0,001). Dito benefício se modificava de acordo com o grau de comprometimento de ERC, observando-se que não havia diferença significativa em pacientes com doença moderada a severa (filtração glomerular < 44 ml/min). 

Conclusão

A associação entre a estratégia invasiva precoce com a sobrevida a longo prazo varia de acordo com a função renal, observando-se que à medida que a disfunção renal progride (FG < 44) não existe benefício ao propor uma estratégia precoce com relação à mortalidade. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Early Invasive Strategy and Outcome of Non–ST-Segment Elevation Myocardial Infarction Patients With Chronic Kidney Disease.

Fonte: Sharon A, Massalha E, Fishman B, Fefer P, Barbash IM, Segev A, Matetzky S, Guetta V, Grossman E, Maor E. Early Invasive Strategy and Outcome of Non-ST-Segment Elevation Myocardial Infarction Patients With Chronic Kidney Disease. JACC Cardiovasc Interv. 2022 Oct 10;15(19):1977-1988. doi: 10.1016/j.jcin.2022.08.008. PMID: 36202565.


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