bRIGHT: Impacto e segurança em uma coorte de Real-Word do dispositivo TriClip

Durante muitos anos foi subestimada a importância clínica da insuficiência tricúspide severa (IT). Contudo, estudos e registros demonstraram que quando não é adequadamente tratada, a IT incide significativamente no aumento a morbidade e a mortalidade. Os pacientes que precisam de tratamento costumam ser pessoas idosas, com um maior risco cirúrgico devido à prevalência desta doença. 

bRight: Impacto y seguridad en una cohorte Real-World del dispositivo TriClip

Os dados da atualidade demonstram que o tratamento cirúrgico apresenta altas taxas de mortalidade perioperatória (6%-12%), limitando seu uso nesta população. 

Felizmente a possibilidade de contar com uma alternativa não cirúrgica e menos invasiva têm mostrado resultados iniciais promissores. No estudo TRILUMINATE, a reparação tricúspide borda a borda (T-TEER) demonstrou ser segura e efetiva na redução da magnitude da IT e na melhora da qualidade de vida na coorte selecionada do estudo. 

Por outro lado, o estudo bRIGHT (estudo observacional) incluiu pacientes do mundo real tratados com o dispositivo TriClip (Abbott). Este estudo representa o primeiro registro prospectivo e multicêntrico que avaliou a segurança e o rendimento em uma coorte contemporânea não selecionada. O desfecho primário foi o sucesso agudo do procedimento (SAP), definido como um implante bem-sucedido com ao menos um grau de diminuição na magnitude da IT. Os pacientes consecutivos com IT severa de 26 centros na Europa, sintomáticos apesar do tratamento médico ótimo, foram escolhidos para a T-TEER. 

Foram incluídos um total de 511 pacientes (56% do sexo feminino) com uma idade média de 79 ± 7 anos. A maioria dos casos apresentaram um mecanismo funcional de IT (90%) e 80% dos pacientes se encontravam em CF III ou IV, com um escore de KCCQ médio de 43,1 ± 23,7. Previamente, 27% dos pacientes tinham sido submetidos a uma intervenção mitral e 40% tinham tido uma hospitalização por insuficiência cardíaca no ano anterior ao procedimento.

Leia também: Crises e inequidades socioeconômicas: sua relação com eventos recorrentes pós-IAM.

Os achados ecocardiográficos revelaram uma dilatação do ventrículo direito nos pacientes (diâmetro diastólico médio de 4,63 ± 0,92 cm) com diâmetros anulares aumentados (4,54 ± 0,76 cm) em aproximadamente 47% dos casos e um gap de 7 mm ou mais.

O implante foi feito corretamente em 99% dos casos, com um SAP alcançado em 451 (91%) dos 496 pacientes. Foi utilizado uma média de 1,9 ± 0,7 clips durante o procedimento, que teve uma duração média de 76 ± 39 minutos. No momento da alta 80% dos pacientes tratados com o dispositivo apresentaram uma gravidade da regurgitação tricúspide moderada ou menor (em comparação com 2% do início). A regressão logística multivariável identificou como preditores independentes para a redução moderada ou menos na magnitude da IT o volume do átrio direito (RAV) e uma menor gravidade basal de IT (OR: 0,726; IC 95%: 0,572-0,921; p = 0,0085; OR: 0,371; IC 95%: 0,223-0,617; p = 0,0001).

Do ponto de vista clínico, observou-se um sucesso do procedimento através de uma melhora na classificação funcional dos pacientes, com um aumento de 20% a 79% na CF I a II (p < 0,0001) e um aumento médio de 19 ± 23 pontos no escore de qualidade de vida conforme o KCCQ. 

Leia também: Há diferenças entre os sexos em ATC de alto risco assistidas por suporte circulatório mecânico?

Em 30 dias a mortalidade por todas as causas foi de 1% e houve um relato de 2,5% de eventos adversos maiores (MAE). Outros eventos de segurança incluíram uma taxa baixa de reintervenção tricúspide (0,2%), reoperação (0,4%), sangramento maior (BARC) em 7,2% e uma taxa de falha de fixação do dispositivo (uma só valva) de 3,8% dos casos (n = 17). 

Conclusões

Os resultados preliminares do bRIGHT evidenciaram um baixo índice de MAE e de mortalidade em 30 dias, bem como uma melhora na qualidade de vida. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Short-Term Outcomes of Tricuspid Edge-to-Edge Repair in Clinical Practice.

Referência: Lurz, Philipp et al. “Short-Term Outcomes of Tricuspid Edge-to-Edge Repair in Clinical Practice.” Journal of the American College of Cardiology vol. 82,4 (2023): 281-291. doi:10.1016/j.jacc.2023.05.008.


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