Insuficiência tricúspide: progressão natural e prognóstico

A prevalência da insuficiência tricúspide (IT) é significativa, com um prognóstico conhecido que indica que os estágios severos se associam com uma maior mortalidade e internação por insuficiência cardíaca (IC). Devido ao fato de as patologias valvares tenderem a evoluir com o tempo, é comum que sejam feitos seguimentos em intervalos específicos para identificar precocemente possíveis complicações hemodinâmicas e consequências clínicas em estágios avançados. 

Insuficiencia tricuspídea: progresión natural y pronóstico

O propósito deste estudo, levado a cabo em nove centros da Espanha, foi avaliar o índice de progressão e os preditores de IT para compreender seu impacto prognóstico. Foram incluídos de maneira prospectiva pacientes consecutivos com IT de grau pelo menos moderado conforme ecocardiograma, excluindo-se aqueles pacientes com intervenção tricúspide prévia, endocardite ativa ou cardiopatia congênita involucrando a valva tricúspide. Foram compilados dados de 1442 pacientes com um seguimento mínimo de 2 anos. 

A etiologia foi classificada em função de ser secundária à doença esquerda, à doença do ventrículo direito (VD), causada por hipertensão pulmonar (HTP) pré-capilar, relacionada com dispositivos implantáveis, isolada e, finalmente, secundária a outras causas. A severidade foi graduada como leve, moderada, severa, massiva e torrencial. Os pacientes que experimentaram mudanças na severidade entre controles foram denominados “progressores”, “não progressores” e “regressores”. 

A idade média da população foi de 76,9 anos, com 66% de participantes do sexo feminino. No início, 69% dos pacientes apresentaram IT moderada, 26,4% severa, 4% massiva e 0,6% torrencial. O seguimento médio foi de 2,3 anos. Os desfechos avaliados incluíram hospitalizações por IC, intervenções não planejadas na valva tricúspide, mortalidade cardiovascular e mortalidade por todas as causas. 

Leia também: Sistema EVOQUE: implante percutâneo da valva tricúspide, resultados em seguimento de um ano.

19% da coorte experimentou progressão de pelo menos um grau, ao passo que não foram observadas mudanças em 43% dos participantes durante o seguimento. Do mesmo modo que ocorreu em estudos prévios, os pacientes apresentavam uma alta carga de morbidade, observando-se 72% de hipertensão (HTA), 50% de fibrilação atrial e 35% de doença renal crônica (DRC).

No que diz respeito aos sintomas, 61% dos pacientes se encontravam em classe funcional II e 32,6% apresentavam sintomas congestivos. Os pacientes catalogados como “progressores” (19%) geralmente eram mais idosos e apresentavam uma maior prevalência de insuficiência renal crônica (IRC). 

A IT significativa foi predominantemente secundária à doença esquerda (59,7%), seguida da patologia do VD (9,9%) e da IT isolada (9%). De acordo com os desfechos, o comprometimento esquerdo não se associou a um aumento da progressão nem dos eventos.

Leia também: Novos Avanços em Dispositivos para a Insuficiência Mitral com Resultados Promissores.

Trinta e três por cento dos pacientes apresentaram HTP, cuja presença elevou o risco de hospitalizações por IC. Em termos ecocardiográficos, observou-se uma deterioração no acoplamento atrioventricular nos estágios severos, e os pacientes classificados como ≥ moderados experimentaram 4,9%, 10,1% e 24,8% em um ano, 2 anos e 3 anos, respectivamente.

Durante o seguimento a mortalidade observada foi de 11%, sendo 3,8% por causa cardiovascular. 22,3% dos pacientes foram hospitalizados por IC, ao passo que 16% requereram intervenção por IT. Os desfechos de mortalidade cardiovascular e IC forma maiores no grupo de pacientes “progressores” em comparação com o grupo de “não progressores” e com o de “regressores” (36,7% vs. 23,1% vs. 24,2%; p < 0,001).

Conclusões

Neste estudo que informa os preditores e índices de progressão de IT, evidenciou-se que a IT não segue o padrão de progressão linear. Os pacientes com IT significativa apresentaram maiores comorbidades, o que evidencia a complexidade de seu manejo. A presença de HTP em pacientes com IT se associou a um pior prognóstico e maior probabilidade de progressão a médio prazo. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Determinants of Tricuspid Regurgitation Progression and Its Implications for Adequate Management.

Referência: Arteagoitia Bolumburu, A, Monteagudo Ruiz, J, Mahia, P. et al. Determinants of Tricuspid Regurgitation Progression and Its Implications for Adequate Management. J Am Coll Cardiol Img. null2023, 0 (0). https://doi.org/10.1016/j.jcmg.2023.10.006.


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