Infarto sem elevação do segmento ST em pacientes idosos

A idade da população está em aumento e as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo ocidental. 

É cada vez mais comum encontrar pacientes de 70 anos ou mais que sofrem um infarto agudo do miocárdio sem elevação do ST (IAMNST). No entanto, dito grupo tem sido excluído da maioria dos estudos e não dispomos de informação suficiente para determinar se devemos optar por uma abordagem conservadora ou realizar estudos invasivos. 

Foi feita uma metanálise que incluiu 1479 pacientes, dentre os quais a metade recebeu tratamento invasivo (INV) e a outra metade recebeu tratamento conservador (CON). 

O desfecho primário (DP) foi a mortalidade por qualquer causa ou infarto em um ano de seguimento. 

Não houve diferenças significativas na população estudada: a idade média foi de 84 anos, 52% da população estava composta por homens, 79% apresenta hipertensão, 29% diabetes, 15% tinha sofrido um AVC, 35% um infarto prévio, 20% tinha sido submetida a uma angioplastia coronariana, 13% a uma cirurgia de revascularização miocárdica e 15% tinha fibrilação atrial. 

Leia Também: Análise com QFR de lesões coronarianas no TAVI.

Tampouco houve diferenças na classificação de Killip, estando a maioria dos pacientes em Killip 1.

O DP do seguimento de um ano foi similar entre os grupos: 24,5% no grupo INV e 28,9% no grupo CON (IC de 95%: 0,63–1,22; p = 0,43). Não foram constatadas diferenças em termos de mortalidade, mas os pacientes que receberam tratamento conservador apresentaram uma maior taxa de infarto (19,1% vs. 12,2%, IC de 95%: 0,47–0,79; p = 0,0002) e uma maior necessidade de revascularização de urgência (HR do modelo de efeitos aleatórios 0,41, IC de 95%: 0,18-0,95; p = 0,037). 

Conclusão

Não se encontrou evidência de que o tratamento invasivo de rotina em pacientes idosos com IAMNST reduza o risco de morte por qualquer causa ou infarto no período de um ano em comparação com o tratamento conservador. No entanto, existe evidência convincente de que o tratamento invasivo reduz o risco de infarto recorrente ou a necessidade de revascularização de urgência. São necessárias mais investigações por meio de estudos de larga escala. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Invasive vs. conservative management of older patients with non-ST-elevation acute coronary syndrome: individual patient data meta-analysis.

Referência: Christos P. Kotanidis, et al. European Heart Journal (2024) 45, 2052–2062 https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehae151


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