Remodelamento cardíaco após a oclusão percutânea da CIA: imediato ou progressivo?

A comunicação interatrial (CIA) é uma cardiopatia congênita frequente que gera um shunt esquerda-direita, com sobrecarga de cavidades direitas e risco de hipertensão pulmonar (HP), insuficiência cardíaca e arritmias. A oclusão percutânea é o tratamento padrão, embora existam poucos estudos prospectivos que descrevam em detalhes as mudanças estruturais e funcionais precoces posteriores ao procedimento. Este estudo avaliou, mediante ecocardiografia seriada, a magnitude e o tempo de ocorrência do remodelamento cardíaco em 1 mês e em 6 meses após a oclusão percutânea de uma CIA em adultos. 

Foi levado a cabo um estudo prospectivo observacional em 112 pacientes consecutivos submetidos a oclusão percutânea da CIA. 67% da população estava composta por mulheres, com uma idade média de 38,8 ± 12,1 anos. Foram feitos ecocardiogramas transtorácicos basais em 1 mês e em 6 meses, avaliando: o diâmetro diastólico do ventrículo direito (RVID), a pressão sistólica do VD (RVSP), a pressão arterial pulmonar (PAP), o volume atrial direito (RAVI), a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), a fração de ejeção do ventrículo direito por 3 D (RVEF), a severidade da insuficiência tricúspide (TR) e o ritmo cardíaco. O dispositivo mais utilizado foi o Figulla Flex (70,5%). O diâmetro médio da CIA foi de 21,3 ± 5,1 mm; a FEVE inicial foi de 53,2 ± 3,3% e o RVID foi de 3,85 ± 0,49 cm. A maioria dos pacientes se encontrava em ritmo sinusal (94,6%).

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O desfecho primário avaliou as mudanças em parâmetros ecocardiográficos contínuos (dimensões e pressões) em 1 mês e em 6 meses. Os desfechos secundários analisaram a variação categórica na severidade da TR, a classe funcional da RVEF e as modificações do ritmo cardíaco.  

Remodelação do ventrículo direito após fechamento percutâneo de CIA: alterações precoces e sustentadas

Desde o primeiro mês foram observadas melhoras significativas no remodelamento do coração direito e na hemodinâmica pulmonar. A RVSP diminuiu de maneira sustentada (r = −0.30, p < 0.001), o que representa uma redução média de 6-7 mmHg. A PAP mostrou uma queda similar (r = −0.30, p < 0.001). O RAVI diminuiu progressivamente (r = −0.16, p = 0.0026), de forma equivalente a una redução aproximada de 4-5 mL/m². O RVID evidenciou a mudança mais pronunciada (r = −0.49, p < 2.2e−16), compatível com um remodelamento estrutural significativo do VD. 

A função do VD mostrou uma tendência favorável (TAPSE r = +0.10, p = 0.065). Em concordância com isso, 31% dos pacientes melhoraram sua categoria funcional de RVEF em seis meses (p < 0,01). A TR também mostrou regressão acentuada, com 18 pacientes melhorando em 1 mês e 34 em 6 meses (p < 0,001). Em contraste, a FEVE se manteve estável (ΔFEVI r = +0.02, p = 0.67), sem mudanças relevantes nos volumes do VE. O ritmo cardíaco permaneceu estável, com apenas dois novos casos de fibrilação atrial (p > 0,05).

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O tamanho inicial do defeito não modificou a magnitude do remodelamento: as análises de interação tamanho x tempo não foram significativas para nenhum parâmetro (p > 0,20). 

Impacto hemodinâmico e funcional do fechamento da CIA: redução das pressões pulmonares e melhora da função do ventrículo direito

Em conclusão, a oclusão percutânea da CIA gera um remodelamento rápido e sustentável do coração direito, acompanhado de uma redução das pressões pulmonares de uma melhora funcional do VD, sem impacto negativo no VE nem no ritmo cardíaco. Ditos benefícios se manifestam precocemente e são independentes do tamanho da CIA, o que respalda a segurança e a eficácia da oclusão percutânea em adultos. 

Título Original: Short-Term Cardiac Functional Change Following Transcatheter Atrial Septal Defect Closure: A Prospective Echocardiographic Study.

Referência: Zahra Khajali et al. Catheterization and Cardiovascular Interventions, 2025.


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