Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas. Essa incidência varia conforme a posição da válvula: entre 2% e 10% nas válvulas aórticas e entre 7% e 17% nas válvulas mitrais. Embora muitos PVL permaneçam assintomáticos e sem relevância clínica, outros podem causar complicações graves, como insuficiência cardíaca e anemia hemolítica, frequentemente exigindo uma nova intervenção.

Nos últimos anos, o fechamento transcateter do PVL (PVLc) consolidou-se como uma alternativa minimamente invasiva, especialmente em pacientes com risco cirúrgico elevado ou proibitivo. Resultados previamente publicados em curto prazo confirmaram que o PVLc é uma opção segura e eficaz. No entanto, as evidências disponíveis sobre sua evolução em médio e longo prazo ainda são limitadas.

O objetivo deste estudo foi avaliar os resultados em médio prazo e identificar preditores de mortalidade ou de reintervenção cirúrgica em 2 anos após o procedimento.

Resultados em 2 anos do fechamento transcateter de leak paravalvar: sobrevida e necessidade de reintervenção

Um total de 213 pacientes sintomáticos foi submetido a 237 procedimentos. A idade média foi de 68 ± 11 anos, com mediana de EuroSCORE II de 6. O PVL envolveu a válvula mitral em 64,6% dos casos e próteses mecânicas em 53,3%. Insuficiência cardíaca e anemia hemolítica estiveram presentes em 89,5% e 49,8% dos pacientes, respectivamente. A abordagem transapical foi utilizada em 6,8% dos procedimentos.

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O sucesso técnico foi alcançado em 87,3% dos casos, e o sucesso clínico em 30 dias foi observado em 70,5% dos pacientes. A mediana de seguimento foi de 24,4 meses. A sobrevida em 2 anos livre de reintervenção cirúrgica foi de 66,1% (intervalo de confiança de 95%: 60,1–72,7). A análise multivariada identificou o PVL mitral, a presença de válvulas mecânicas e a anemia hemolítica como fatores de risco independentes para eventos adversos durante o seguimento. A ausência de sucesso clínico em 30 dias foi o preditor mais potente de desfechos adversos (HR: 5,00; IC 95%: 2,70–9,09; p = 0,001).

Conclusão

O fechamento transcateter dos PVL representa uma estratégia terapêutica duradoura em pacientes de alto risco, desde que se alcance sucesso clínico precoce. O comprometimento da válvula mitral, a presença de prótese mecânica e a anemia hemolítica destacam-se como preditores adversos relevantes nessa população.

Título Original: Medium-term outcomes and prognostic factors after transcatheter paravalvular leak closure: an international prospective multicentre registry.

Referencia: Grégoire Albenque et al EuroIntervention 2026;22:e113-e122.


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Dr. Andrés Rodríguez
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