Tratamento com estatinas: o que considerar para indicá-lo?

tratamento com estatinasO uso de imagens não invasivas pode identificar ou descartar ateromatose subclínica e ajudar a reduzir o número de pacientes idosos que são tratados desnecessariamente com estatinas, sem um aumento do risco de eventos cardiovasculares.

 

A utilização do escore de cálcio e da ecografia carotídea para encontrar os pacientes idosos em ateromatose ajuda a evitar o tratamento com estatinas sem que isso tenha consequências clínicas.

 

O presente estudo é uma tentativa de personalizar os guias de tratamento de hipolipemiantes com estudos não invasivos que sejam capazes de descartar doença subclínica e, consequentemente, não prescrever um tratamento caro para uma grande quantidade de pacientes que, de outra forma, receberiam indicação de tratamento somente por um parâmetro de idade.

 

Em 2013, os guias do American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA) expandiram a prevenção primária com estatinas para os pacientes com um LDL entre 70 e 189 mg/dl e um risco em 10 anos de pelo menos 7,5%.

 

Devido ao fato de a aterosclerose ser uma doença relacionada à idade, a maioria dos pacientes idosos eram elegíveis para o tratamento com o consequente risco do excesso de medicação em uma população que já recebe muitas drogas por outras condições clínicas.

 

O estudo BioImage incluiu 5.805 pacientes sem doença vascular conhecida (média de 69 anos de idade) dos quais a maioria (86%) entravam na qualificação para receber estatinas, com base nos guias ACC/AHA de 2013.

 

Como parte do estudo, aqueles pacientes elegíveis para tratamento com estatinas segundo o risco cardiovascular em 10 anos saíram da qualificação da indicação se a triagem com o escore de cálcio e a ecografia carotídea não mostrava doença subclínica.

 

Os pacientes intermediários, isto é, aqueles com um risco cardiovascular em 10 anos de entre 5 e 7,5% foram incluídos na qualificação para a terapia com estatinas se as imagens mostravam cálcio coronário e placas na carótida.

 

Foram muitos os pacientes que saíram da indicação já que 32% mostrou um escore de cálcio zero e 23% deles não tinham placas detectáveis por ecografia.

 

Após 2,7 anos de seguimento, 91 pacientes apresentaram seu primeiro evento cardíaco (infarto, angina instável ou revascularização coronária) e 138 seu primeiro evento cardiovascular (infarto, angina instável, revascularização coronária, AVC ou doença vascular).

 

Somente três pacientes sem doença subclínica apresentaram eventos no seguimento.

 

O cálculo do risco segundo os guias ACC/AHA para decidir um tratamento com estatinas tem uma alta sensibilidade (96%) mas uma muito baixa especialidade (somente 15%), o que reflete a incapacidade para detectar pacientes sem doença cardiovascular.

 

Utilizar um escore de cálcio zero reduz a indicação de estatinas para muitos pacientes e aumenta a especificidade dos guias de 15 a 25% sem uma perda significativa de sensibilidade.

 

A ausência de placas por ecografia também aumenta a especificidade, mas há uma perda menor de sensibilidade.

 

Uma das limitações do BioImage é o curto período de seguimento, mas está nos planos estendê-lo para 10 anos.

 

Título original: A simple disease-guided approach to personalize ACC/AHA-recommended statin allocation in people.

Referência: Mortensen MB et al. J Am Coll Cardiol 2016;68:881-891.

 

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