Mudanças na decisão do tratamento segundo reavaliação com OCT

O uso de imagens intravasculares como a ecografia intravascular ou a tomografia de coerência ótica (OCT), tanto para a tomada de decisões quanto para o planejamento de intervenções coronarianas, mudaram a prática em alguns cenários como o tronco da coronária esquerda, evidenciando uma melhora nos desfechos avaliados. 

Cambios en la decisión del tratamiento según revaloración con OCT

Existem estudos em andamento que contribuirão com maior evidência sobre a segurança e a efetividade a longo prazo (sobretudo em pacientes complexos), como o estudo ILUMEN IV. Segundo estatística dos Estados Unidos, aproximadamente 10% das angioplastias são feitas com apoio de imagens intravasculares. 

Neste estudo observacional, prospectivo e multicêntrico realizado nos EUA estabeleceu-se, por meio da iniciativa LightLab, a avaliação da influência do uso de OCT na tomada de decisões. A sistemática de avaliação foi mediante a avaliação pré-angioplastia (PTCA) da morfologia, comprimento, diâmetro e pós-PTCA de dissecção medial ou de borda, aposição ou expansão (Protocolo MLD MAX).

Desde janeiro de 2019 até março de 2020 foi feita a análise de 773 angioplastias guiadas por OCT. 62% dos procedimentos foram feitos com abordagem radial, observando-se lesão de um só vaso em 76% e em 70% a indicação foi não eletiva. Os vasos tratados foram 50% descendente anterior, 29% coronária direita e 15% circunflexa. 

O uso de OCT segundo o protocolo MLD MAX modificou a avaliação e a tomada de decisões em 86% das lesões observadas neste estudo. 

Leia também: Utilidade do gradiente trans-stent como preditor de resultados adversos no seguimento.

Foram feitas mudanças de acordo com a avaliação pré-PTCA em 80% e mudanças posteriores à angioplastia em 31% dos casos. A mudança na tomada de decisões se relacionou sobretudo com a placa – foi principalmente por calcificação. Em comparação com a angiografia convencional subestimou-se o grau de calcificação em 85% dos casos. No entanto, isso não gerou uma mudança na quantidade de stents necessários. 

Depois da otimização da PTCA, nos casos de reavaliação com OCT, as principais causas foram a subexpansão, em 25% dos casos, uma má aposição, em 10%, e dissecção de borda, em 5%. 

Conclusões

O uso de um protocolo padronizado, com o MLD MAX da iniciativa LightLab, gerou um impacto significativo na tomada de decisões sobre angioplastias coronarianas em 86% dos casos. Ao observar a estratificação de acordo com a experiência dos operadores, não se observou uma diferença relevante, sendo o impacto similar em todos os casos. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título original: Decision-Making During Percutaneous Coronary Intervention Guided by Optical Coherence Tomography: Insights From the LightLab Initiative.

Referência: Bergmark B, Dallan LAP, Pereira GTR, et al. Decision-Making During Percutaneous Coronary Intervention Guided by Optical Coherence Tomography: Insights From the LightLab Initiative. Circ Cardiovasc Interv. 2022;15(11):872-881. doi:10.1161/CIRCINTERVENTIONS.122.011851.


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