AHA 2025 | DECAF: consumo de café vs. abstinência em pacientes com FA — recorrência ou mito?

A relação entre o consumo de café e as arritmias tem sido objeto de recomendações contraditórias. Existe uma crença estendida de que a cafeína poderia desencadear fibrilação atrial (FA) ou outras arritmias em indivíduos predispostos. No entanto, até o momento não se dispunha de estudos randomizados que avaliassem seu verdadeiro impacto em pacientes com FA. 

O DECAF foi um estudo prospectivo, multicêntrico e randomizado, de design aberto com avaliação cega de eventos, que distribuiu os participantes em uma proporção 1:1 a consumir café com cafeína (≥1 xícara/dia) ou a manter abstinência total de café e de produtos com cafeína durante 6 meses. Foram incluídos adultos com FA (ou flutter atrial com antecedentes de FA) submetidos a cardioversão elétrica, que tivessem mantido um consumo habitual de café (≥ 1 xícara/dia) nos últimos 5 anos.

O desfecho primário (DP) foi a recorrência clinicamente detectada de FA ou flutter atrial com duração ≥ 30 segundos. Foram excluídos pacientes com ablação prévia de FA, cirurgia cardiotorácica ou cardioversão fracassada nos 3 meses prévios. O seguimento teve uma duração de 5 meses. 

Foram randomizados 200 pacientes, com uma idade média de 68 anos, um escore CHA₂DS₂-VASc médio de 2,5, estando 40% da população em tratamento com antiarrítmicos de classe III.

Leia também: AHA 2025 | OPTIMA-AF: 1 mês vs. 12 meses de terapia dual (DOAC + P2Y12) após PCI em fibrilação atrial.

Na análise principal, o consumo de café reduziu em 39% a recorrência de FA ou flutter atrial (HR: 0,61; IC de 95%: 0,42–0,89; p = 0,001). Embora somente 69% do grupo designado a abstinência tenha cumprido completamente a restrição, na análise pré-especificada “por tratamento” o benefício do café foi ainda mais marcante (HR: 0,53; IC de 95%: 0,36–0,78; p = 0,002).

Conclusões

Em pacientes com fibrilação atrial que tinham sido submetidos a cardioversão elétrica bem-sucedida, o consumo habitual de café com cafeína não incrementou a recorrência arrítmica e, por outro lado, associou-se a uma menor incidência de FA ou flutter em comparação com a abstinência. 

Apresentado por Christopher X. Wong, no Late-Breaking Science, AHA 2025, Nova Orleans, EUA.


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Dr. Omar Tupayachi
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Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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