Subestudo do PROSPECT II: relação entre distintos níveis de PCR-us e características de placa vulnerável em pacientes com IAMSEST

A inflamação desempenha um papel chave no desenvolvimento e na progressão da aterosclerose, além de se associar com um maior risco de eventos cardiovasculares, independentemente dos níveis de colesterol. A proteína C reativa de alta sensibilidade (PCR-us) é um reagente de fase aguda que atua como marcador de inflamação sistêmica.

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Em um estudo realizado com 502 pacientes com doença coronariana documentada, designados a tratamento com estatinas de intensidade moderada ou alta, foi feito um ultrassom intravascular (IVUS) no início e em 18 meses de seguimento. 

A redução dos níveis de PCR-us ao longo do seguimento se correlacionou de maneira independente com a regressão do volume de placa de ateroma. Em outro estudo com IVUS, realizado em pacientes com síndromes coronarianas agudas ou angina crônica estável, níveis basais de PCR-us > 3 mg/L se associaram com uma maior incidência de eventos cardíacos adversos maiores (MACE) durante um seguimento de 12 meses. 

O objetivo deste subestudo do PROSPECT II – um estudo multicêntrico e prospectivo – foi investigar se o nível basal de PCR-us, como marcador inflamatório, se associava com a prevalência de características de placas não obstrutivas de alto risco e com a ocorrência de eventos cardiovasculares futuros. 

O desfecho primário (DP) foi analisar a associação entre os níveis basais de PCR-us e a morfologia da placa (conteúdo lipídico, carga de placa e área luminal) em 501 pacientes com IAMSEST. Os níveis de PCR-us foram classificados como baixos (< 1 mg/L), intermediários (1-3 mg/L) e altos (> 3 mg/L). 

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A idade média da população foi de 63 anos e a maioria dos participantes eram homens. O nível basal médio de PCR-us foi de 3,1 mg/L, sendo predominantes os níveis altos (50%), seguidos de níveis intermediários (36%) e baixos (13%). A porcentagem de pacientes com ao menos uma placa com alto conteúdo lipídico aumentou de 39,4% no grupo PCR-us baixa a 57,2% no intermediário e 59,3% no alto (p = 0,01). A proporção de pacientes com uma placa com volume ≥ 70 % também aumentou progressivamente com os níveis de PCR-us: 22,7%, 27,2% e 36,7%, respectivamente (p = 0,01).

As análises multivariáveis demonstraram que níveis elevados de PCR-us se associaram com um maior índice de carga lipídica nas coronárias e com um maior volume de placa. Um nível elevado de PCR-us incrementou a probabilidade de ocorrência de placas com alto conteúdo lipídico e com um volume de placa igual ou superior a 70%. 

Conclusão

Estes achados respaldam a associação entre inflamação, formação de placas de alto risco e risco cardiovascular futuro. Em pacientes com IAMSEST recente, um nível basal elevado de PCR-us se relacionou de forma independente com aterosclerose de alto risco e com a presença de placas vulneráveis focais. A avaliação sistemática do risco inflamatório, juntamente com a caracterização da placa mediante imagens intravasculares, proporciona informação prognóstica valiosa que transcende os fatores de risco tradicionais. 

Título Original: Relationships of hsCRP to High-Risk Vulnerable Plaque After NSTEMI Insights From the PROSPECTII Trial.

Referência: Ole Fröbert, MD et al JACC Cardiovasc Interv. 2025; 18:1217–1228.


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Dr. Andrés Rodríguez
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