O tratamento das lesões coronarianas calcificadas continua sendo um dos cenários técnicos mais desafiadores da angioplastia contemporânea. Em dito contexto, a litotripsia intravascular (IVL) e o cutting balloon (CB) representam duas estratégias amplamente utilizadas como modificadores de placa. A eficácia relativa de ditas estratégias poderia depender não só da severidade do cálcio, mas também de sua morfologia e do uso concomitante de aterectomia.

O subestudo IVUS do ShortCUT Trial avaliou se o rendimento do cutting balloon versus a IVL se mantinha através de distintos padrões de cálcio coronariano. O estudo incluiu 413 pacientes com doença coronariana calcificada submetidos a PCI guiada por IVUS. Os pacientes foram estratificados conforme o planejamento inicial de aterectomia rotacional: 208 pacientes com aterectomia planejada e 205 sem aterectomia planejada. Dentro de cada estrato, foram randomizados 1:1 a CB ou IVL, seguido do implante de DES. O desfecho primário foi a área mínima do stent (MAS) pós-procedimento no sítio de máxima calcificação. Os desfechos secundários incluíram fratura cálcica, porcentagem de expansão do stent e custo procedimental.
Na análise baseada em cálcio nodular, não foram observadas diferenças significativas na coorte total entre IVL e CB com relação à MSA: 8,2 ± 2,1 mm² vs. 9,2 ± 2,6 mm², respectivamente (p = 0,25). Tampouco houve diferenças em termos da expansão do stent nem no que se refere à fratura cálcica. No entanto, o custo procedimental foi significativamente maior com IVL (US$ 18.833 vs. US$ 10.958; p < 0,001). No subgrupo sem aterectomia planejada, a IVL se associou a uma maior MSA em lesões com cálcio nodular: 9,6 ± 3,0 mm² vs. 7,6 ± 1,5 mm² (p = 0,04).
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No tocante à avaliação baseada no arco de cálcio, na coorte com arco de 360°, a IVL mostrou uma maior MSA em comparação com o CB: 8,6 ± 2,4 mm² vs. 7,8 ± 2,3 mm² (p = 0,007), diferença que foi ainda mais acentuada em pacientes sem aterectomia rotacional planejada (8,9 ± 2,2 mm² vs. 7,4 ± 1,8 mm²; p = 0.001). Em contraposição, em lesões com arco de cálcio < 360°, não foram observadas diferenças significativas na MSA, na expansão do stent ou na fratura cálcica na coorte total, embora o custo tenha sido consistentemente maior com IVL em todas as análises.
Nos pacientes tratados com aterectomia rotacional upfront, as diferenças entre IVL e cutting balloon foram menos evidentes. A estratégia “Rota-Cut” mostrou resultados comparáveis aos da estratégia “Rota-Shock” nas distintas morfologias analisadas, com um menor custo procedimental.
Conclusão: IVL mostrou vantagens em cálcio complexo sem aterectomia prévia
Neste subestudo IVUS do ShortCUT Trial, a escolha entre IVL e cutting balloon parece depender do padrão de calcificação e do uso de aterectomia rotacional. Em lesões com cálcio mais complexo, como o arco de 360° ou o cálcio nodular, a IVL mostrou uma maior MSA em pacientes sem aterectomia planejada. Ao contrário, após a aterectomia rotacional upfront, acrescentar o CB ofereceu resultados comparáveis à IVL, com um menor custo procedimental.
Título Original: Subestudio IVUS del ShortCUT Trial.
Referência: Presentado por Suzanne J. Baron en Late-breaking trials, EuroPCR 2026, 19-22 de mayo de 2026, París, Francia.
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