Aterectomia rotacional apenas uma estratégia provisória

Título original: High-Speed Rotational Atherectomy Before Paclitaxel-Eluting Stent Implantation in Complex Calcified Coronary Lesions. The Randomized ROTAXUS (Rotational Atherectomy Prior to Taxus Stent Treatment for Complex Native Coronary Artery Disease) Trial. Referência: Mohamed Abdel-Wahab et al. J Am Coll Cardiol Intv 2013; article in press

As lesões severamente calcificadas dificultam a aplicação e expansão adequadas de um stent medicamentoso (DES) com o consequente aumento do risco de trombose e/ou reestenoses. 

Além disso, este tipo de lesão poderia danificar o polímero do DES e produzir uma difusão inadequada da droga para a subintimal. A aterectomia rotacional (AR) pode fazer a ablação efetivamente neste tipo de placas o que poderia melhorar a efetividade dos DES nesse contexto. Foi utilizado o Rotablator (Boston Scientific Scimed, Maple Grove, Minnesota) com um tamanho de azeitona escolhido para alcançar uma relação com o tamanho do vaso de 0,5.

O desfecho primário foi a perda tardia de lúmen no acompanhamento angiográfico em nove meses. Foram randomizados 240 pacientes com lesões de novo e calcificação de moderada a severa para dilatação padrão e Taxus em contraste com. aterectomia rotacional e Taxus. As características clínicas e angiográficas foram bem equilibradas entre os grupos.

Fazendo uma análise por intenção de tratamento o sucesso angiográfico foi idêntico (96,7%), mas se considerarmos que 12,5% dos pacientes randomizados para dilatação padrão finalmente receberam AR, constatamos que o sucesso final foi significativamente melhor para a AR (92,5% em contraste com 83,3%; p=0,03). Em nove meses de acompanhamento, os eventos cardíacos maiores (MACE) foram similares em ambas os grupos (padrão 24,2% em contraste com AR 28,3%; p=0,46), assim como a perda tardia de lúmen (desfecho primário) com 0.31± 0.52 mm para grupo padrão em contraste com 0.44 ± 0.58 mm para AR (p=0.04).

Conclusão: 

Neste estudo, a aterectomia rotacional de rotina anterior ao implante de um stent Taxus em lesões calcificadas não foi superior ao implante de um stent Taxus somente.

Comentário editorial: 

ROTAXUS é o primeiro estudo randomizado e controlado que testou a aterectomia rotacional de rotina anterior a um DES e provavelmente avaliou a população com a anatomia mais complexa que já foi incluída em um trabalho com stents. Considerando os resultados, o alto volume dos centros e a grande experiência dos operadores participantes, a aterectomia rotacional ficaria somente como estratégia de resgate. No entanto a “estratégia padrão” consistiu em dilatar em altas atmosferas com balões não complacentes e apesar do anterior houve um elevado crossover. Embora seja verdade que a aterectomia rotacional não melhora os resultados no acompanhamento, é alterado o sucesso intra-hospitalar do procedimento neste tipo de lesões.

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