Stent direto, sem utilidade clínica em pacientes eletivos

Título Original:  The Independent Value of a Direct Stenting Strategy on Early and Late Clinical Outcomes in Patients Undergoing Elective Percutaneous Coronary Intervention.  Referência: Gabriel L. Sardi et al. Catheterization and Cardiovascular Interventions 81:949–956 (2013).

 

O uso de stent direto (SD) (implante de stent sem pré-dilatação) tem demonstrado ser uma estratégia segura, especialmente com os avanços que tem sido logrados no perfil dos dispositivos de novas gerações. Em teoria a incidência de injuria miocárdica periprocedimento e o fenómeno de no reflow seriam menores dado a menor chance de embolização distal e dano da parede em comparação com a pré-dilatação sistemática (PD). Neste estudo, a decisão sobre que estratégia usar ficou a critério do operador, pelo que foi utilizado o propensity escore para emparelhar as diferenças nas características basais de ambos grupos deixando 444 pacientes em cada rama para a análise final. O critério de avaliação primário da análise foi a magnitude da injuria miocárdica periprocedimento de acordo com a elevação de CK-Mb.

As variáveis indicativas do uso de recursos como tempo de procedimento, volume de contraste e o uso de balões para pós dilatar foram significativamente maiores na rama pré-dilatação. A injuria miocárdica periprocedimento foi virtualmente idêntica entre ambos grupos (SD 5.3% vs PD 5.4%, p=0.91) do mesmo modo que a incidência de morte, infarto, revascularização ou a combinação de todas (MACE). 

Conclusão:

No contexto da angioplastia eletiva, a estratégia de stent direto, diminui o tempo de procedimento e a utilização de recursos mas não tem nenhuma vantagem clínica demonstrável em um ano de seguimento. 

Comentário editorial: 

Só o fato de diminuir os recursos, e portanto os custos, parece ser razão suficiente para utilizar stent direto. Tal vez, o mais importante seja julgar corretamente a lesão antes de começar e escolher a estratégia de acordo à complexidade anatómica. Estes resultados não devem ser extensivos a pacientes cursando uma síndrome coronária aguda

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