Enoxaparina parece superior à heparina não fracionada em pacientes que recebem angioplastia primária

Título original: A direct comparison of intravenous enoxaparin with unfractionated heparin in primary percutaneous coronary intervention (from the ATOLL trial). Referência: Collet et al. Am J Cardiol. 2013; Epub ahead of print.

A análise do estudo ATOLL sugere que a enoxaparina é superior à heparina não fracionada em reduzir eventos isquêmicos e mortalidade em pacientes cursando um infarto agudo com supradesnivelamento do segmento ST que recebem angioplastia primária.

Este trabalho randomizou 910 pacientes cursando um infarto com supradesnivelamento do segmento ST a receber enoxaparina endovenosa (0.5 mg/kg) ou heparina não fracionada (50-70 UI/kg se estava associada a inibidores da glicoproteína IIBIIIA ou 70-100 UI/kg sem IIBIIIA). Logo da angioplastia os pacientes continuaram com a medicação que vinham recebendo.

A enoxaparina mostrou uma  redução  não significativa de 17% do critério de avaliação primário (combinado de morte por qualquer causa e infarto aos 30 dias, fracasso do procedimento e sangramento não relacionado à cirurgia que precisar de ré hospitalização). Porém, o critério de avaliação secundário (morte, nova síndrome coronária aguda ou revascularização urgente a 30 dias) resultou significativo, sim,  com uma  redução  de 41%.

Os pacientes tratados com enoxaparina também mostraram uma  menor taxa de sangramentos maiores que os tratados com heparina sódica. Ao avaliar o beneficio clínico neto, este resultou em favor da enoxaparina com 7.3% vs 15.7% da heparina não fraccionada (RR 0.46, IC 0.3 a 0.7; p=0.0002).

Conclusão:

 Na análise por protocolo do ensaio ATOLL que incluiu mais de 87% da população do estudo, a enoxaparina foi superior à heparina não fracionada na redução  de pontos finais isquêmicos e a mortalidade.

SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

É seguro usar fármacos cronotrópicos negativos de forma precoce após o TAVI?

O TAVI está associado a uma incidência relevante de distúrbios do sistema de condução e ao desenvolvimento de bloqueios atrioventriculares que podem requerer o...

Tratamento antiplaquetário dual em pacientes diabéticos com IAM: estratégia de desescalada

A diabetes mellitus (DM) é uma comorbidade frequente em pacientes hospitalizados por síndrome coronariana aguda (SCA), cuja prevalência aumentou na última década e se...

AHA 2025 | DAPT-MVD: DAPT estendido vs. aspirina em monoterapia após PCI em doença multivaso

Em pacientes com doença coronariana multivaso que se mantêm estáveis 12 meses depois de uma intervenção coronariana percutânea (PCI) com stent eluidor de fármacos...

AHA 2025 | TUXEDO-2: manejo antiagregante pós-PCI em pacientes diabéticos multivaso — ticagrelor ou prasugrel?

A escolha do inibidor P2Y12 ótimo em pacientes diabéticos com doença multivaso submetidos a intervenção coronariana percutânea (PCI) se impõe como um desafio clínico...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Acesso coronariano após o TAVI com válvulas EVOLUT de quarta e quinta gerações: estudo EPROMPT-CA

A expansão do implante transcateter valvar aórtico (TAVI) em pacientes mais jovens e de menor risco tem incrementado a relevância do acesso coronariano pós-procedimento....

Registro Global Morpheus: segurança e eficácia do stent longo cônico BioMime Morph em lesões coronárias complexas

A angioplastia em lesões coronárias longas continua representando um desafio técnico e clínico, no qual o uso de stents cilíndricos convencionais pode se associar...

Assista Novamente: Fatores de Risco Cardiovascular na Mulher | Webinar de Técnicos SOLACI

O webinar “Fatores de Risco Cardiovascular na Mulher”, realizado em 27 de janeiro de 2026 por meio da plataforma Zoom, já está disponível para...