RESERVOIR trial demonstra não inferioridade de um stent farmacológico sem polímero em pacientes diabéticos.

Fundamentos e objetivo: Pacientes com diabetes mellitus continuam a ser de alto risco para reestenose e eventos cardiovasculares adversos apesar do uso de stents farmacológicos (DES). Os DES de segunda geração oferecem resultados superiores em segurança e eficácia quando comparados aos DES de primeira geração. O stent eluidor de everolimus é o DES com evidências mais robustas para segurança e eficácia. O presente estudo visa avaliar o stent farmacológico sem polímero com amphilimus (“amphilimus” é o nome dado para a combinação de “sirolimus com um veículo anfifílico, que modula a eluição [mais de 90 dias], tornando-se, apartir de então, um stent convencional) numa papulação diabética.

O endpoint primário foi o volume de obstrução neointimal pela OCT aos 9 meses e os objetivos secundários foram a cobertura das hastes de stent, perda luminal tardia e revascularização de vaso-alvo. Foram randomizados 112 pacientes diabéticos (1:1) para stent com amphilimus (AES; n = 56) sem polímero permanente ou para stent eluidor de everolimus com polímero (EES; n = 56). As características basais foram semelhantes entre os grupos, assim como o ganho agudo. O volume de obstrução neointimal foi de 11.97±5,94% no grupo AES e 16,11±18,18% no EES (p para não inferioridade=0,0003). O AES não mostrou superioridade (P = 0,22) em relação ao EES. Análise de subgrupo pré-especificado mostrou uma interação entre o controle da glicose e o efeito do tratamento no desfecho primário (P = 0,02), com o AES mostrando uma vantagem entre os pacientes com níveis de HbA1c acima da mediana. Ambos os grupos apresentaram de forma semelhante “baixas” taxas de hastes descobertas e malapostas. Na análise de QCA de 102 lesões em 99 pacientes, os valores para o diâmetro percentual de estenose, quer intra-stent ou in-segments não diferiu entre os dispositivos. Aos 12 meses, os resultados clínicos foram estatisticamente semelhantes para os pacientes tratados com AES ou com EES como a seguir: morte cardíaca: 1,8% vs 0%, MI: 0% vs 1.8%,trombose de stent definitiva: 0% vs 1,7%, TLR: 5,2% vs 8,6%, TVR: 5,2% vs 12,1%Falha do vaso alvo: 6,9% vs 12,1% em cada grupo, respectivamente.

Conclusão: Este é o primeiro estudo a mostrar não inferioridade de um stent farmacológico sem polímero em comparação a um stent com evidência mais robusta de segurança e eficácia em diabetes. Isto sugere que a droga anti-proliferativa formulada com um veículo anfifílico apresenta eficácia alta no DM. No entanto, os resultados devem ser confirmados em estudos randomizados maiores.

R. Romaguera
2015-05-19

Título original: A randomised comparison of reservoir-based polymer-free amphilimus-eluting stents versus everolimus-eluting stents in patients with diabetes mellitus: the RESERVOIR clinical trial

Mais artigos deste autor

Estudo FFRCT RIPCORD: a FFR derivada da angiotomografia de coronárias pode mudar a estratégia terapêutica?

Fundamentos e objetivos:  A reserva de fluxo fracionada (FFR) Invasiva é uma ferramenta bem validada e reprodutível para a detecção de lesão causadora de...

PRAGUE 13 trial

Fundamentos e objetivos: A intervenção coronária percutânea (PCI) primária da artéria culpada pelo infarto agudo do miocárdio com supra de ST (STEMI) é o...

Avaliação do um novo sistema de liberação de balão coronariano auto-posisionável STENTYS®

Fundamentos: O novo sistema de entrega de balão STENTYS® foi desenvolvido para auto-posicionamento, com stent eluidor de sirolimus (SES). Consiste em inflar um balão...

SORT OUT VII

Fundamentos e Objetivo: A persistência do polímero nos DES de primeira e segunda gerações após a liberação completa do fármaco tem sido apontado como...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Assista Novamente: Implicações Clínicas do Intervencionismo Estrutural — TAVI e MitraClip na Prática Diária

A gravação do webinar “Intervencionismo Estrutural: TAVI e MitraClip na Prática Diária” já está disponível no canal do YouTube da SOLACI. A atividade foi...

A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura em pacientes com fração de ejeção reduzida?

Os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) foram excluídos dos principais estudos randomizados sobre oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo...

Oclusão de apêndice atrial esquerdo na Espanha: crescimento sustentado e bons resultados na prática clínica real

A anticoagulação oral continua sendo o tratamento padrão para a prevenção do acidente vascular cerebral em pacientes com fibrilação atrial. No entanto, muitos desses...