Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea. Em tal contexto, os stents de nitinol entrelaçado Supera oferecem uma elevada força radial e uma maior resistência à deformação, ao passo que o Eluvia, um stent eluidor de paclitaxel com polímero, tem como objetivo a redução da hiperplasia neointimal mediante uma eluição sustentada de fármaco. 

Embora ambos os dispositivos tenham demonstrado resultados favoráveis por separado, não existiam comparações diretas com seguimento prolongado em lesões com calcificação severa. O objetivo deste estudo foi comparar os resultados clínicos das duas estratégias em um seguimento de 3 anos. 

O desfecho primário foi a liberdade de revascularização da lesão tratada (TLR) no seguimento de 3 anos. Os desfechos secundários incluíram a perviedade primária, a sobrevida global, a preservação da extremidde e o padrão angiográfico da reestenose. 

Foram analisados 257 pacientes consecutivos provenientes de 8 centros do Japão, tratados entre abril de 2018 e dezembro de 2021 por lesões femoropoplíteas com calcificação severa (PACSS de grau 3 ou 4). Dentre eles, 123 foram tratados com stents Supera e 134 com stents Eluvia. O comprimento médio da lesão foi de 167 ± 101 mm no grupo Supera e de 163 ± 97 mm no grupo Eluvia. 

As oclusões crônicas totais representaram 39% e 35% dos casos, respectivamente, ao passo que a calcificação PACSS de grau 4 esteve presente em 75% e em 78% das lesões. O seguimento médio foi de 34,3 ± 23,6 meses.

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Em 3 anos, a liberdade de TLR foi similar entre os dois dispositivos (80,2% vs. 78,2%; p = 0,868). Tampouco foram observadas diferenças significativas na perviedade primária (69,6% vs. 78,8%; p = 0,558), na sobrevida global (72,8% vs. 55,2%; p = 0,110) nem na preservação da extremidade (96,0% vs. 93,0%; p = 0,792). 

Durante o seguimiento, 42 pacientes (30,4%) foram a óbito e 8 extremidades (5,7%) requereram amputação maior, sem diferenças atribuíveis ao tipo de stent implantado e sem terem sido registradas mortes diretamente relacionadas com o dispositivo. 

A análise de interação identificou que a idade e o comprimento da lesão poderiam ter influência no rendimento relativo dos dispositivos, o que sugere um possível benefício do Supera em pacientes de menos de 75 anos e em lesões de comprimento ≥ 200 mm (p para interação = 0,049 e 0,045, respectivamente). 

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No tocante à morfologia da reestenose, as recorrências dentro do primeiro ano mostraram uma tendência a padrões mais oclusivos no grupo Eluvia (50% vs. 13%; p = 0,059), embora não tenham sido observadas diferenças entre os dois dispositivos em termos de reestenoses tardias (p = 1,000). 

Conclusão: Supera e Eluvia mostraram resultados comparáveis em seguimento de 3 anos em lesões femoropoplíteas com calcificação severa

Em conclusão, os stents Supera e Eluvia mostraram resultados clínicos comparáveis em seguimento de 3 anos de lesões femoropoplíteas com calcificação severa, motivo pelo qual ambos podem ser considerados alternativas válidas para esse cenário complexo. No entanto, o maior comprimento da lesão, a menor idade dos pacientes e o padrão de reestenose observado poderiam influir na seleção do dispositivo. Os achados aqui apresentados deverão ser confirmados por meio de estudos prospectivos e randomizados. 

Título Original: Three-Year Outcomes of Supera Interwoven Nitinol Stents Versus Eluvia Drug-Eluting Stents in Severely Calcified Femoropopliteal Lesions.

Referência: Takashi Yanagiuchi, MD; Takahiro Tokuda, MD; Naoki Yoshioka, MD; et al.; en representación del grupo LEADers PAD Investigators. Journal of Vascular Surgery. 2026.


 

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