Trombose de plataformas bioabsorvíveis: incidência, fatores de risco e possíveis mecanismos

Título original: Bioresorbable Vascular Scaffold Thrombosis. Multicenter Comprehensive Analysis of Clinical Presentation, Mechanisms, and Predictors. Referência: Puricel S et al. J Am Coll Cardiol 2016;67:921-31.

 

Gentileza do Dr. Guillermo Migliaro.

As plataformas bioabsorvíveis (PB) foram introduzidas na cardiologia intervencionista para evitar as complicações tardias dos stents liberadores de droga. No entanto, relatórios recentes sugerem uma elevada incidência de trombose (TR) nesses novos dispositivos.

O artigo de referência é um registro de quatro centros que incluiu 1.305 pacientes consecutivos que receberam uma angioplastia coronária com colocação de uma PB em lesões de novo tanto por síndromes coronárias agudas (SCA) como por doença coronária estável. A idade média foi 64 anos e 78% dos foram do sexo masculino. Neste grupo de pacientes se analisou a frequência de TR e foram avaliadas as características clínicas e angiográficas do procedimento, a fim de determinar os possíveis mecanismos envolvidos.

A TR ocorreu em 42 pacientes. A incidência de TR provável/definitiva foi de 1,8% em 30 dias e de 3% em 12 meses sem diferenças entre os centros (p = 0,60).

Em 52% dos casos a TR se apresentou como um SCA com supradesnivelamento do ST e em 17% como morte súbita.

Na análise multivariada as lesões ostiais (p = 0,049) e a fração de ejeção deprimida (p = 0,019) se associaram independentemente à TR. A TR se apresentou em 21% dos pacientes que tinham suspendido a dupla antiagregação e na maioria dos casos antes do primeiro ano.

Quanto às variáveis angiográficas, o diâmetro de referência pequeno e o diâmetro luminal mínimo pós-procedimento foram preditores independentes de TR (p < 0,001).

Estes achados sugerem fortemente que a subexpansão ou a incompleta aposição poderiam ser os mecanismos subjacentes da TR.

Quando se implementou uma estratégia de implantação que contemplava pré-dilatação agressiva e pós-dilatação com balões não complacentes de até 0,5 mm maior que o tamanho da PB, a incidência de TR caiu a 1%, o que equivale a uma redução de 70% na incidência de TR quando se comparam ambos os grupos (p = 0,012).

Conclusão
A incidência de TR nas PB é de 3% em 12 meses, embora possa ser significativamente diminuída utilizando-se uma estratégia de implantação adequada. Outros preditores de TR encontrados foram as lesões ostiais e a função ventricular deprimida, os vasos de diâmetros pequeno e o diâmetro luminal mínimo pós-procedimento. Estes dois últimos achados sugerem que o mecanismo envolvido poderia ser a subexpansão do stent.

Comentário editorial
Trata-se de um registro não randomizado com baixo número de eventos, motivo pelo qual a interpretação dos mecanismos envolvidos deve ser realizada com cautela. Este estudo não contempla a utilização de imagens intracoronárias para a colocação de stent como a tomografia de coerência ótica.

Gentileza do Dr. Guillermo Migliaro.

Image: Abbott Vascular

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