ACC 2020 Virtual | PARTNER 3: TAVI vs. cirurgia em baixo risco em 2 anos de seguimento

O resultado no seguimento de 2 anos em pacientes com estenose aórtica severa e baixo risco cirúrgico continua mostrando um benefício numérico a favor do implante por cateter (TAVI) vs. o implante cirúrgico no desfecho primário de morte, AVC ou re-hospitalização por causas cardiovasculares. No entanto, a vantagem inicial do TAVI era maior e agora foi se reduzindo com base na ocorrência de mortes e casos de AVC.  

Quando o PARTNER 3 foi apresentado há exatamente um ano no mesmo evento da ACC, a diferença entre os dois tratamentos era de 7,1%, o que não só era suficiente para provar a não inferioridade, mas inclusive para dizer que o TAVI era superior à cirurgia. Com a apresentação virtual do seguimento de 2 anos do PARTNER 3 no ACC 2020, observamos que a diferença entre os dois tratamentos se reduziu a 5,9%, o que continua sendo suficiente para provar a não inferioridade. 

Se as curvas se manterão separadas, ainda que seja por uma margem estreita ou, ao contrário, se continuarão com a tendência de irem se aproximando e em algum momento terminarem se cruzando são apenas especulações segundo as palavras do próprio M. Mack, que apresentou os resultados. 

O PARTNER 3 incluiu 1000 pacientes com um STS de 4% ou menos (STS médio de 1,9%) tratados com a válvula expansível por balão Sapien 3 ou cirurgia em 71 centros diferentes. 


Leia também: ACC 2020 Virtual | POPULAR TAVI: anticoagulação sem clopidogrel pós-TAVI?

Em dois anos o TAVI mantém sua diferença quando comparado com a cirurgia no desfecho primário combinado (11,5% vs. 17,4%; HR 0,63, 0,45 a 0,88) mas não nos componentes individuais (com a exceção das re-hospitalizações).

A principal razão das re-hospitalizações para ambos os grupos foi a insuficiência cardíaca. 

O grupo TAVI apresentou menos incidência de fibrilação atrial (7,9% vs. 41,8%) e mais de novo bloqueio do ramo esquerdo (24,4% vs. 9,4%; p < 0,001). A trombose das valvas (segundo definição VARC 2) foi mais frequente no grupo TAVI (2,6% vs. 0,7%; p = 0,02).

O estudo ecocardiográfico do seguimento de 2 anos não mostrou mudanças em comparação com os prévios no gradiente médio (13,6 vs. 11,8 mmHg; p < 0,001), na área valvar (1,7 vs. 1,7 cm2; p = 0,69) ou em insuficiência paravalvar (p < 0,001). 

Título original: Two-year clinical and echocardiographic outcomes from the PARTNER 3 low-risk randomized trial.

Referencia: Mack MJ et al. Presentado en forma virtual en el ACC 2020.


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