Evidência ou teoria? Esquema de antiagregação após uma angioplastia periférica

A indicação do esquema de antiagregação após uma angioplastia periférica de membros inferiores pode variar em torno de 50% conforme os diferentes centros, os diferentes operadores e os diferentes procedimentos.

Seguridad de combinar los nuevos anticoagulantes y la doble antiagregación

Isso revela o enorme grau de variabilidade na indicação e a escassa evidência que existe sobre o tema. 

A maioria dos cardiologistas quer trasladar a informação das coronárias à femoral superficial em relação a pontos os quais comprovadamente não corresponde fazê-lo. Por que seria possível, então, trasladar informação em relação à antiagregação?

As diretrizes recomendam dupla antiagregação, mesmo tendo como base escassa informação e, às vezes, sem informação em absoluto. 

Esta análise retrospectiva incluiu 16.597 pacientes que foram submetidos a procedimentos de revascularização dos membros inferiores entre 2017 e 2018. Foram excluídos da análise aqueles pacientes que tinham indicação prévia de anticoagulação ou de dupla antiagregação. 


Leia também: Consenso sobre como realizar o seguimento em doença vascular periférica.


Os esquemas antiagregantes no momento da alta foram classificados como dupla antiagregação, monoterapia de aspirina, monoterapia de um inibidor do receptor P2Y12 ou nenhuma droga. 

49% da população recebeu alta com dupla antiagregação plaquetária. O sexo masculino, o tabagismo e o antecedente de doença coronariana foram preditores clínicos de dupla antiagregação. 

Requerer múltiplos procedimentos, utilizar stent e apresentar alguma complicação também foram preditores de dupla antiagregação. 


Leia também: Doença vascular periférica subestimada e subtratada.


Tanto variáveis clínicas quanto técnicas tiveram influência na indicação; inclusive o arbítrio dos operadores, que perante a falta de evidência fazem o que lhe parece melhor. 

Uma similar tendência ao caos foi mostrada por nós em junho de 2020 com um trabalho publicado no Eur. J Vasc. Endovasc Surg. 

A toda a heterogeneidade prévia soma-se a recente evidência do VOYAGER PAD e suas respectivas subanálises apresentados no ACC 2020 e no ESC 2020. 


Leia também: Antiagregar ou anticoagular após uma angioplastia periférica?


Ambos os trabalhos, e também o COMPASS, respaldam o uso de rivaroxabana em pacientes com doença vascular periférica. 

Ainda vai tardar para que toda esta informação seja plasmada nas diretrizes. Por outro lado, é evidente que é necessário a realização e publicação de mais trabalhos. 

Título original: Discharge Prescription Patterns for Antiplatelet Therapy Following Lower Extremity Peripheral Vascular Intervention.

Referência: Nikhil Singh et al. Circ Cardiovasc Interv. 2020;13:e008791.  DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.119.008791.


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