Miocardiopatia obstrutiva hipertrófica refratária: miomectomia ou ablação septal?

Aproximadamente 70% das miocardiopatias hipertróficas se associam a obstrução dinâmica do trato de saída e insuficiência mitral. Isso conduz a dispneia e insuficiência cardíaca em uma alta porcentagem de pacientes. 

Miocardiopatía obstructiva hipertrófica refractaria ¿miomectomía o ablación septal?

Embora atualmente contemos com tratamentos farmacológicos eficientes que se complementam com implante de marca-passo, a cirurgia (MS) continua sendo a primeira opção naqueles pacientes que são refratários, com um mortalidade de aproximadamente 6% (3,8% em centros de alto volume e 13% em centros de baixo volume).

Uma estratégia que avançou bastante é a ablação septal com álcool absoluto (ASA), que apresenta uma mortalidade de aproximadamente 0,6% nos centros de alto volume e de 2,3% nos de baixo volume. 

Os diferentes estudos entre MS e ASA demonstraram que a técnica percutânea é segura e efetiva, embora a informação de longo prazo ainda não seja robusta. 

Foram analisados 5679 pacientes do Medicare acima de 65 anos que receberam tratamento de redução septal por miocardiopatia hipertrófica obstrutiva. Dentre eles, 3680 (64,80%) foram submetidos a MS e 1999 a ASA.

Leia também: FRAME-AMI: FFR vs. angiografia do vaso não culpado na SCA.

Os pacientes submetidos a MS eram mais jovens (72,9 anos vs. 74,8 anos; p = 0,001), majoritariamente do sexo feminino, com menor presença de hipertensão, diabete, anemia, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, hipertensão pulmonar, insuficiência renal ou hepática e menor fragilidade. Além disso, apresentaram menos internações por insuficiência cardíaca no ano anterior à MS. 

As MS se associaram a maior mortalidade hospitalar (4,5% vs. 1,5%; p < 0,001), AVC (3,0% vs. 0,6%; p < 0,001), nova deterioração da função renal com necessidade de diálise (2,2% vs. 0,6%; p < 0,001), bem como maior mortalidade em 30 dias (5,1% vs. 2,0%; p < 0,001).  

O seguimento médio foi de 4 anos, não tendo sido observada diferença em termos de mortalidade (HR: 0,87; 95% CI: 0,74-1,03; p = 0,1). Nos primeiros dois anos de seguimento não houve diferença em mortalidade (HR: 1,11; 95% CI: 0,88-1,40; p = 0,40), mas no terceiro e quarto anos a mortalidade foi menor com MS (HR: 0,72; 95% CI: 0,60-0,87; p < 0,001).

Leia também: A re-hospitalização pode ser considerada um fator importante após a substituição da valva aórtica?

A necessidade de nova revascularização foi menor com MS (HR: 0,10; 95% CI: 0,07-0,15; p < 0,001) e ambas as estratégias reduziram o número de internações por insuficiência cardíaca em comparação com o ano prévio, não havendo diferença entre a MS e a ASA. 

Os centros de alto volume apresentaram melhores resultados em comparação com os de baixo volume. Entretanto, 70% dos pacientes são tratados nestes últimos. 

Conclusão

A terapia de redução septal reduz a readmissão por insuficiência cardíaca no Medicare em pacientes com miocardiopatia obstrutiva. A cirurgia de redução septal se associou a menor reoperação e melhor sobrevida em comparação com a ablação septal. Apesar de os centros de alto volume apresentarem melhores resultados, 70% das terapias de redução septal são feitas em centros de baixo volume. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Survival After Septal Reduction in Patients >65 Years Old With Obstructive Hypertrophic Cardiomyopathy.

Referência: Amgad Mentias, et al. J Am Coll Cardiol 2023;81:105–115.


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