IAM sem elevação do ST: quanto tempo temos para realizar uma coronariografia?

Este resumo discute a estratégia invasiva precoce e o risco de mortalidade no IAM sem supradesnivelamento do segmento ST.


Nas últimas duas décadas a mortalidade e as complicações têm diminuído significativamente com o desenvolvimento tecnológico, farmacológico e com a maior experiência das equipes de saúde. Isso é especialmente perceptível quando a angioplastia é feita dentro das 72 horas; nesses casos, a diminuição da mortalidade se triplica nos primeiros 6 meses. 

IAM sin elevación del ST: ¿cuánto tiempo tenemos para realizar una coronariografía?

A informação atual é contraditória no que à estratégia precoce se refere. O fato de alguns registros ou estudos randomizados não indicarem a melhora pode estar relacionado com diferentes fatores como o tempo entre o aparecimento dos sintomas e a realização da coronariografia. 

Foi feita uma análise do estudo KAMIR-NIH com seus 5856 pacientes com infarto agudo do miocárdio sem elevação do ST (IAMSEST). Em 3919 desses casos o tempo entre o sintoma e o cateterismo (TSeC) foi < 48 horas (66%) e em 1937 o TSeC foi > 48 horas.  

O desfecho primário (DP) foi definido como mortalidade por qualquer causa em 3 anos e o desfecho secundário foi a combinação de morte por qualquer causa, infarto recorrente ou re-hospitalização por insuficiência cardíaca em 3 anos. 

A idade média foi de 64 anos e mais de 70% da população era do sexo masculino. 

Leia também: A re-hospitalização pode ser considerada um fator importante após a substituição da valva aórtica?

Os pacientes do grupo TSeC < 48 horas apresentaram mais comumente hipertensão, diabete, deterioração da função renal, infarto, angina típica, angina após o primeiro episódio, menos insuficiência cardíaca, escore de GRACE menor e uma melhor função ventricular esquerda. 

O TSeC foi de 17,5 horas vs. 90,8 horas. 

A presença de lesão severa do TCE foi de 5,6%, a de lesão de 3 vasos foi de 19%, a de lesão de 2 vasos foi de 28% e a de lesão de um vaso foi de 45%. Fez-se ATC em 85% dos casos, CRM em 1,5% e tratamento médico no resto. 

No seguimento de 3 anos o DP foi de 7,3% vs. 13,4% (3-year adjusted HR: 0,76; 95% CI: 0,64-0,91; p = 0,002) para o grupo TSeC < 48 horas vs. TSeC > 48 horas, respectivamente. O DP também foi favorável ao grupo TSeC < 48 horas (12,2% vs. 19,6% 3-year adjusted HR: 0,84; 95% CI: 0,73-0,96; p = 0,015).

Lea tambien: Evolução a longo prazo da estratégia de revascularização coronariana híbrida.

A utilização dos sistemas de emergência se associou a um TSeC < 48 horas e a menor mortalidade. 

Conclusão

A estratégia invasiva precoce baseada na TSeC se associou a uma diminuição do risco de mortalidade por qualquer causa no infarto sem elevação do segmento ST. Devido ao fato de o registro KAMIR-NIH ser prospectivo, o mesmo deveria ser considerado um gerador de hipóteses e dar luz à necessidade de realização de pesquisas futuras. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Early Invasive Strategy Based on the Time of Symptom Onset of Non-ST-Segment Elevation Myocardial Infarction.

Referência: SungA Bae, et al. J Am Coll Cardiol Intv 2023;16:64–75.


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