TAVI em estenose aórtica moderada com baixa fração de ejeção

A presença de estenose aórtica, insuficiência cardíaca e diminuição da função ventricular se associa a um mal prognóstico e a alta mortalidade. Por isso, tanto os guias europeus como os americanos a classificam com indicação de Classe I quando a estenose é severa. 

TAVI en estenosis aórtica moderada con baja fracción de eyección

Existem duas análises retrospectivas que evidenciam os benefícios do TAVI mediante acesso femoral. Atualmente, o estudo TAVR UNLOAD está em andamento, motivo pelo qual não contamos com suficiente informação nesse cenário nem sabemos ao certo que grupos se beneficiariam com a estratégia aqui proposta. 

Foi feita uma análise do Registro ATLAS TAVI (Anatomic Stenosis Severity as a Prognostic Marker in Patients With Low-Flow Low-Gradient Aortic Stenosis Undergoing Transcatheter Aortic Valve Implantation) e de um registro levado a cabo no Canadá incluindo 1.176 pacientes com estenose aórtica moderada ou severa e fração de ejeção reduzida que foram submetidos a TAVI por acesso femoral ou tratamento médico. 

Os pacientes foram divididos em três grupos: 527 pacientes com EAO severa, baixo gradiente e fração de ejeção reduzida que foram submetidos a TAVI (TS-LAGS TAVI), 179 pacientes com EAO pseudossevera ou moderada com baixo gradiente e fração de ejeção reduzida que foram submetidos a TAVI (PS-LGAS TAVI) e 470 pacientes com EAO severa ou moderada, e fração de ejeção reduzida que receberam tratamento médico (Medical-Mood). 

Leia também: Reestenose intrastent em lesões ostiais da coronária direita: preditores de uma localização desfavorável.

O desfecho primário (DP) foi a mortalidade por qualquer causa e a mortalidade cardíaca em dois anos. 

As populações foram diferentes. 

Depois de dois anos de acompanhamento, a mortalidade por qualquer causa foi similar nos três grupos, mas a mortalidade cardiovascular foi menor nos pacientes do grupo TAVI (TS-LGAS: HR, 0,32 [95%IC, 0,17-0,59]; p < 0,0001; PS-LGAS: FC, 0,34 [95% IC, 0,16-0,72]; p < 0,0001) em comparação com o grupo de tratamento médico. 

Os preditores de mortalidade por qualquer causa e mortalidade cardiovascular foram a idade, a fibrilação atrial, a doença arterial coronariana, a DPOC, o AVC e a classe funcional. 

Leia também: Área mínima do stent: estaremos diante de um novo parâmetro para levar em consideração no IVUS?

Foi feito um propensity score entre os pacientes do grupo PS-LGAS TAVI e do grupo Medical-Mood. A mortalidade por qualquer causa e a mortalidade cardiovascular em dois anos foram menores nos pacientes submetidos a TAVI (mortalidade por qualquer causa 48,8% vs. 65,4%, p < 0,0001 e mortalidade cardiovascular 19,6% vs. 41,56%, p = 0,004, respectivamente).  

Conclusão

Em pacientes com estenose aórtica não severa e diminuição da fração de ejeção, o TAVI se apresenta como um preditor principal de sobrevida. Esses resultados reforçam a necessidade de realizar estudos randomizados de TAVI controlados versus tratamento médico em pacientes com falha cardíaca e estenose aórtica não severa. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Transcatheter Aortic Valve Replacement in Patients With Reduced Ejection Fraction and Nonsevere Aortic Stenosis.

Referência: Sebastian Ludwig, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2023;16:e012768. DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.122.012768.


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