Preditores e evolução do marca-passo definitivo após o TAVI nas válvulas autoexpansíveis

O TAVI evidenciou notáveis benefícios e seu uso continua se ampliando para pacientes de menor risco e idades mais precoces. No entanto, uma de suas restrições radica na necessidade, muitas vezes, de implante de marca-passos definitivos (MCPD), que em suas primeiras etapas, com válvulas autoexpansíveis, chegava a 30%.

pacemaker marcapasos definitivo

Persiste a incerteza sobre a evolução dos pacientes submetidos a implante de MCPD após o TAVI, já que vários estudos mostraram um aumento na mortalidade e reinternações por insuficiência cardíaca, ao passo que outras análises apresentaram resultados opostos. 

No contexto de uma análise de 3211 pacientes registrada nos estudos NEOPRO (Comparação Multicêntrica entre Válvulas Cardíacas Transcateter Acurate NEO e Evolut PRO) e NEOPRO-2 (Comparação Multicêntrica entre Válvulas Cardíacas Transcateter ACURATE NEO 2 e Evolut PRO/PRO+), foram examinados 362 indivíduos (11,3%).

A idade média da população foi de 81 anos, 29% tinha diabetes, 27,3% fibrilação atrial, 9,2% AVC e 16,6% padecia de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). A fração de ejeção se situou em 57%. Não foram registradas diferenças significativas na área valvar aórtica, no diâmetro do anel, na excentricidade do anel nem em termos de calcificação. 

O grupo que requereu o MCPD apresentou uma maior proporção de homens, maior incidência de diabetes, cirurgia de revascularização miocárdica (CRM), bloqueio completo do ramo direito (BCRD), menor taxa de filtração glomerular, um índice de STS de mortalidade mais alto e uma fração de ejeção inferior a 40%. Também se observou que o índice do perímetro derivado do diâmetro foi maior naqueles pacientes que foram submetidos a implante de MCPD. 

Leia também: Resultados a largo prazo após uma ATC complexa segundo a experiência do operador e a utilização de IVUS.

Os pacientes que necessitaram MCPD receberam válvulas de maior diâmetro, experimentaram menos procedimentos de pré-dilatação (58,8% vs. 67,6%; p = 0,001) e requereram um reposicionamento maior. Além disso, as válvulas Evolut PRO/PRO+ foram implantadas a maior profundidade em comparação com as Acurate NEO e Acurate NEO 2 (5,8 ± 2,7 mm vs. 5,0 ± 2,6 mm; p < 0,001). Não foram observadas diferenças em relação ao sucesso técnico, mas a duração da hospitalização foi maior no grupo que necessitou o MCPD. Aproximadamente 15% das válvulas foram implantadas com um diâmetro inferior a 3 mm.

Em 30 dias não foram detectadas diferenças significativas em termos de mortalidade, mas registraram-se mais admissões hospitalares no grupo submetidos a implante de MCPD. 

Após um ano de acompanhamento, evidenciou-se uma taxa de mortalidade superior no grupo que recebeu MCPD (16,9% vs. 10,8%; HR: 1,61; IC de 95%: 1,12-2,31; p = 0,009), especialmente entre os pacientes com uma fração de ejeção inferior a 40% (40,7% vs. 14,6%; HR ajustado: 3,67; IC de 95%: 1,37-9,83; p = 0,01), assim como uma maior taxa de re-hospitalizações. Não foram observadas diferenças significativas quando a fração de ejeção superava os 40%.

Leia também: Estenose aórtica moderada: devemos começar a avaliá-la melhor.

Os fatores independentes que previram a necessidade de MCPD foram o índice STS de mortalidade, o BCRD e a profundidade do implante das válvulas. 

Conclusão

A demanda de MCPD se situou em 11,3% e se associou a uma maior mortalidade ao cabo de um ano, particularmente em pacientes com uma fração de ejeção inferior a 40%. O bloqueio completo do ramo direito e a profundidade do implante se esboçam como preditores independentes da necessidade de MCPD. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Incidence, Predictors, and Prognostic Impact of New Permanent Pacemaker Implantation After TAVR With Self-Expanding Valves.

Referência: Matteo Pagnesi, et al. J Am Coll Cardiol Intv 2023. Article in Press.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Embolização de dispositivos de oclusão do apêndice atrial esquerdo: preditores, prevenção e estratégias de manejo

A fibrilação atrial se associa com um aumento do risco de AVC e, em pacientes com contraindicação para anticoagulação, a oclusão percutânea do apêndice...

Revascularização coronariana prévia ao TAVI: PCI prévia ou manejo conservador?

A coexistência de doença coronariana (DAC) em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI é frequente, com uma prevalência relatada de entre 30%...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026: Resultados do estudo SURViV – apresentação e análise exclusiva com o Dr. Dimytri Siqueira

Após a apresentação do estudo SURViV nas sessões Late Breaking Clinical Trials do Congresso do American College of Cardiology, o Dr. Dimytri Siqueira (Brasil),...

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...