SMART Trial: qual é a melhor válvula nos anéis pequenos?

O implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) demonstrou ser benéfico durante muitos anos. No entanto, um subgrupo significativo de pacientes com anel aórtico pequeno, que constitui aproximadamente um terço dos casos e tem uma maior representação entre as mulheres, enfrenta desafios adicionais, com uma maior incidência de mismatch, redução da capacidade de exercício e menor durabilidade. 

Anillos aórticos pequeños, ¿Qué válvula deberíamos elegir?

As válvulas balão-expansíveis (BEV) e autoexpansíveis (SEV) representam diferentes plataformas e têm mostrado variações em termos de rendimento hemodinâmico. 

Em pacientes com anéis pequenos, ditas diferenças podem ser significativas, embora até o momento não esteja claro que plataforma proporcionaria o maior benefício. 

Foi levada a cabo uma análise de 12 meses do Estudo SMART (Small Annuli Randomized to Evolut or SAPIEN), um estudo internacional e prospectivo, randomizado 1:1, que incluiu 715 pacientes com estenose aórtica severa. Dentre eles, 355 receberam SEV e o resto recebeu BEV. 

As válvulas utilizadas foram a Evolut PRO/PRO+/FX (Medtronic) e a SAPIENS 3 e Ultra (Edwards Lifesciences).

12 meses após o início do estudo, os seguintes desfechos foram avaliados: o desfecho clínico (DC), que consistiu em uma combinação de morte, AVC incapacitante e reinternação por insuficiência cardíaca; e o desfecho de disfunção da válvula bioprotética (DD), que incluiu disfunção estrutural hemodinâmica (gradiente médio ≥ 20 mmHg), disfunção valvar não estrutural (mismatch ou regurgitação aórtica pelo menos moderada), trombose valvar, endocardite ou reinternação. 

Leia Também: ACC 2024 | REDUCE AMI: Betabloqueadores após infarto do miocárdio e fração de ejeção preservada.

Não foram observadas diferenças entre as populações. A idade média foi de 80 anos, 86% eram mulheres, o STS de mortalidade foi de 3,3%, a maioria tinha hipertensão, 32% tinham diabetes, 18% DPOC, 12% tinham sofrido um AVC, 4% tinham doença renal crônica, 20% fibrilação atrial, 7% tinham sofrido infarto do miocárdio e a fração de ejeção foi de 61%. 

A incidência de bloqueio completo do ramo direito foi de 6% e a de fibrilação atrial foi de 19%. 

As válvulas SEV utilizadas foram em sua maioria de 26 mm (68%) e em menor medida de 29 mm, ao passo que as BEV mais utilizadas foram de 23 mm (90%) e o resto foi de 20 mm. 

Depois de um ano de seguimento o DC foi de 9,4% nos pacientes com SEV vs. 10,6% nos pacientes com BEV (diferença de -1,2 pontos percentuais; IC de 90%: -4,9 a 2,5; p < 0,001 para não inferioridade; HR: 0,90; IC de 95%: 0,56 a 1,43), mas o DD favoreceu as SEV (9,4% para SEV vs. 41,6% para BEV; uma diferença de -32,2 pontos percentuais; IC de 95%: -38,7 a -25,6; p < 0,001). 

Leia Também: Doença vascular periférica: nossa realidade na América Latina. Registro LATAM SOLACI Peripheral.

Em relação ao DC analisado de forma separada, não houve diferença em termos de mortalidade, AVC ou reinternações por insuficiência cardíaca, mas sim no DD, já que as SEV apresentaram disfunção estrutural hemodinâmica (3,2% vs. 32,2%, uma diferença de -29,1% pontos percentuais; IC de 95%: -34,6 a -23,5) e disfunção estrutural (5,9% vs. 18,2%; uma diferença de −12,3 pontos percentuais; IC de 95%: −17,6 a −7,0), sem diferença em termos de endocardite, trombose valvar e reintervenções. 

Nas análises ecocardiográficas a área valvar foi maior nas SEV (1,99 cm2 vs. 1,5 cm2, p < 0,0001), do mesmo modo que o gradiente médio (7,7 mmHg vs. 15 mmHg; p < 0,0001). 

Conclusão

Entre os pacientes com estenose aórtica severa e anel aórtico pequeno que foram submetidos a TAVI, as válvulas autoexpansíveis supra-anulares não foram inferiores às balão expansível em relação à evolução clínica, mas foram superiores no que se refere à disfunção da válvula bioprotética em 12 meses. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Self-Expanding or Balloon-Expandable TAVR in Patients with a Small Aortic Annulus.

Referência: H.C. Herrmann, et al. NEJM DOI: 10.1056/NEJMoa2312573.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Embolização de dispositivos de oclusão do apêndice atrial esquerdo: preditores, prevenção e estratégias de manejo

A fibrilação atrial se associa com um aumento do risco de AVC e, em pacientes com contraindicação para anticoagulação, a oclusão percutânea do apêndice...

Revascularização coronariana prévia ao TAVI: PCI prévia ou manejo conservador?

A coexistência de doença coronariana (DAC) em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI é frequente, com uma prevalência relatada de entre 30%...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026: Resultados do estudo SURViV – apresentação e análise exclusiva com o Dr. Dimytri Siqueira

Após a apresentação do estudo SURViV nas sessões Late Breaking Clinical Trials do Congresso do American College of Cardiology, o Dr. Dimytri Siqueira (Brasil),...

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...