TAVI em pacientes jovens de baixo risco

O TAVI se consolidou como uma estratégia eficaz para tratar a estenose aórtica severa em diferentes grupos de risco. 

Embora as análises prévias geralmente tenham incluído pacientes de mais de 75 anos, com resultados animadores, a técnica não foi exaustivamente avaliada em pacientes mais jovens. 

Foi feita uma análise do estudo Evolut Low Risk, que incluiu pacientes de menos de 75 anos. Em total, foram incluídos 703 pacientes, dentre os quais 352 foram submetidos a TAVI e o resto a cirurgia. 

Os grupos foram similares em suas características. A idade média foi de 69 anos, 37% dos pacientes eram mulheres, o escore STS foi de 1,7%, com uma prevalência de diabetes de 37%, hipertensão de 85%, doença vascular periférica de 8%, DPOC de 20%, doença vascular cerebral de 10%, cirurgia de revascularização coronariana (CRM) de 3%, infarto agudo do miocárdio (IAM) de 5,5% e fibrilação atrial em 12% dos casos. 

A função ventricular média foi de 61%, a área valva aórtica foi de 0,8 cm², com uma velocidade máxima de 4,2 m/s e um gradiente médio de 46 mmHg. 

Em 30 dias não foram observadas diferenças significativas em termos de mortalidade por qualquer causa nem AVC incapacitante. No entanto, a cirurgia mostrou maior incidência de fibrilação atrial, deterioração da função renal e sangramento maior ou potencialmente mortal, ao passo que no grupo de TAVI houve mais distúrbios de condução e maior necessidade de marca-passo. 

Leia também: TAVI e fibrilação atrial: que anticoagulantes deveríamos usar?

Em 3 anos de seguimento não houve diferenças significativas em termos de mortalidade por qualquer causa nem AVC incapacitante (5,7% em TAVI vs. 8,0% em cirurgia; p = 0,241). A mortalidade por qualquer causa foi similar entre os dois grupos (5,1% em TAVI vs. 5,7% em cirurgia), mas a incidência de AVC incapacitante foi maior nos pacientes submetidos a cirurgia (0,6% em TAVI vs. 2,9% em cirurgia; p = 0,019). Não foram constatadas diferenças no tocante a infarto ou trombose valvar, mas a necessidade de marca-passo foi significativamente maior no grupo de TAVI (21% vs. 7%; p < 0,001).

Observou-se no eco-Doppler que a área valvar aórtica foi maior nos pacientes que foram submetidos a TAVI (2,2 cm² vs. 1,9 cm²; p < 0,001), bem como um gradiente médio mais baixo (9,7 mmHg vs. 12,7 mmHg; p < 0,001). No entanto, a regurgitação paravalvar foi mais frequente no grupo de TAVI, apesar de não ter alcançado uma diferença estatisticamente significativa. 

Conclusão

Em pacientes de baixo risco de menos de 75 anos tratados com uma válvula autoexpansível supra-anular percutânea, em um seguimento de 3 anos a mortalidade por qualquer causa e os eventos de AVC incapacitante foram comparáveis com a cirurgia, embora com menor incidência de AVC incapacitantes no grupo TAVI. Além disso, a performance valvar foi significativamente melhor nos pacientes submetidos a TAVI. 

Título Original: Three-Year Outcomes Following TAVR in Younger (<75 Years) Low-Surgical-Risk Severe Aortic Stenosis Patients.

Referência: Thomas Modine, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2024;17:e014018. DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.124.014018.


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Dr. Carlos Fava
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Membro do Conselho Editorial da solaci.org

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