Tratamento da reestenose intrastent em vasos pequenos com balões recobertos de paclitaxel

A doença arterial coronariana (DAC) em vasos epicárdicos de menor calibre se apresenta em 30% a 67% dos pacientes submetidos a intervenção coronariana percutânea e interpõe desafios técnicos particulares. Os vasos pequenos (VS) definidos habitualmente como aqueles com diâmetros < 2,25 a 3,0 mm, apresentam um maior risco de reestenose intrastent (ISR), o que se manifesta em taxas mais elevadas de revascularização da lesão alvo (TLR). Além disso, o tratamento da ISR costuma se basear na otimização do stent prévio e no implante de um novo dispositivo. No entanto, a colocação de uma segunda camada de stent reduz o ganho luminal, um aspecto especialmente relevante nos VP. Consequentemente, esses vasos não só apresentam maior risco de ISR mas também piores resultados clínicos quando isso ocorre. 

Os balões recobertos de fármacos (DCB) se apresentam como uma alternativa promissora para o tratamento da ISR, já que permitem administrar um agente antiproliferativo evitando um novo implante metálico. Contudo, a evidência disponível respaldando o seu uso nesse contexto ainda é limitada. 

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia e a segurança dos DCB em comparação com a angioplastia com balão convencional, considerando o tamanho do vaso tratado. 

O desfecho primário (DP) foi a taxa de falha da lesão tratada (TLF) em 1 ano, definida esta como um composto de infarto do miocárdio relacionado com o vaso tratado, revascularização da lesão guiada por isquemia ou morte cardíaca. 

O ensaio AGENT IDE (Ensaio clínico para avaliar o cateter balão recoberto com paclitaxel para o tratamento da reestenose residual) randomizou 600 pacientes com ISR a tratamento com DCB ou com balões convencionais (proporção 2:1). Esta análise pré-especificada examinou o efeito do tratamento de acordo com o diâmetro de referência do vaso (DVR): ≤ 2,75 mm para vasos pequenos e > 2,75 mm para vasos grandes.

Leia também: Desafios contemporâneos na oclusão do apêndice atrial esquerdo: enfoque atualizado sobre a embolização do dispositivo.

Entre os 597 pacientes com DVR conhecido, 56% apresentaram VS (DVR médio: 2,4 ± 0,3 mm) e 44% vasos grandes (DVR médio: 3,1 ± 0,3 mm). A TLF em 1 ano foi de 20,6% nos VS e de 22,6% nos vasos grandes (HR: 0,92; IC de 95%: 0,65–1,31; p = 0,65). Em relação ao tratamento, os DCB se associaram a uma redução relativa de 39% na TLF vs. a angioplastia com balão nos VS (17,7% vs. 27,4%; HR: 0,61; IC de 95%: 0,37–0,99) e com uma redução de 43% nos vasos grandes (18,4% vs. 30,5%; HR: 0,57; IC de 95%: 0,34–0,96). Os benefícios do DCB foram consistentes independentemente do tamanho do vaso (p de interação – 0,88). Não foram registrados casos de trombose definitiva ou provável do stent nos pacientes tratados com DCB. 

Conclusão

Esta análise pré-especificada de subgrupos do ensaio AGENT IDE mostrou que os pacientes com lesões ≤ 2,75 mm tratados com DCB apresentaram uma incidência significativamente menor de TLF e TLR em um ano em comparação com aqueles tratados com balões convencionais. É importante ressaltar que a angioplastia com DCB demonstrou uma redução consistente dos eventos clínicos no seguimento de 1 ano, independentemente do tamanho do vaso. Em conjunto, os DCB representam uma opção terapêutica eficaz para os pacientes com reestenose coronariana intrastent.

Título Original: Paclitaxel-Coated Balloon for the Treatment of Small Vessel In-Stent Restenosis A Subgroup Analysis of the AGENT IDE Randomized Trial.

Referência: Jason Wen, MD et al JACC Cardiovasc Interv. 2025;18:2701–2710.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Andrés Rodríguez
Dr. Andrés Rodríguez
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

EMERALD II: anatomia e fisiologia coronariana não invasiva (CCTA) na predição de SCA

Apesar dos avanços contínuos na prevenção secundária e na otimização do tratamento médico (TMO), a síndrome coronariana aguda (SCA) ainda é uma das principais...

Manejo de perfurações em bifurcações: validação experimental de técnicas de bailout com stents recobertos

As perfurações coronarianas durante a angioplastia representam uma das complicações mais temidas do intervencionismo, especialmente quando comprometem segmentos bifurcados. Embora seja pouco frequente, trata-se...

Acesso radial esquerdo ou direito? Comparação da exposição à radiação em procedimentos coronarianos

A exposição à radiação durante os procedimentos percutâneos constitui um problema tanto para os pacientes como para os operadores. O acesso radial é atualmente...

Tratamento antiplaquetário dual em pacientes diabéticos com IAM: estratégia de desescalada

A diabetes mellitus (DM) é uma comorbidade frequente em pacientes hospitalizados por síndrome coronariana aguda (SCA), cuja prevalência aumentou na última década e se...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

TMVR transapical em pacientes de alto risco: resultados do seguimento de cinco anos do sistema Intrepid

A insuficiência mitral (IM) moderada a severa continua sendo uma patologia de alta prevalência e mal prognóstico, particularmente em pacientes idosos, com disfunção ventricular...

SOLACI deseja a todos Felizes Festas

De coração, Boas Festas! A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista deseja a todos os seus membros associados e à comunidade médica do continente um Feliz Natal e...

Pesar pelo falecimento de Cristiam Arancibia

A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista lamenta profundamente o falecimento do Lic. Cristiam Arancibia, primeiro Diretor do Capítulo de Técnicos e Enfermeiros, Membro Fundador...