Manejo de perfurações em bifurcações: validação experimental de técnicas de bailout com stents recobertos

As perfurações coronarianas durante a angioplastia representam uma das complicações mais temidas do intervencionismo, especialmente quando comprometem segmentos bifurcados. Embora seja pouco frequente, trata-se de uma situação crítica que requer uma resposta imediata, e o uso de stents recobertos demonstrou ser uma estratégia eficaz e segura para conseguir a selagem da ruptura.

No entanto, quando a perfuração acontece no nível de uma bifurcação e ocorre o “enjaulamento” de um ramo lateral relevante, surgem desafios técnicos adicionais. A evidência disponível na literatura é limitada, com relatos isolados de casos e sem uma estratégia sistematizada claramente definida.

O estudo apresentado por Hemetsberger et al. aborda essa lacuna a partir de teste em um modelo experimental controlado (bench testing), avaliando a viabilidade de distintas técnicas de recanalização e reconstrução do ramo lateral após o implante de stents recobertos. 

Utilizando modelos de silicone com bifurcações padrão de 70°, simulou-se quatro cenários de perfuração e resgate: 

  • Implante crossover de stent recoberto no ramo principal com exclusão do ramo lateral. 
  • Otimização do óstio do ramo lateral com stent eluidor de fármacos mediante técnica de Culotte. 
  • Implante de stents recobertos tanto no ramo principal quanto no ramo lateral. 
  • Otimização final com stent eluidor de fármacos após duplo stent recoberto. 

Leia também: Acesso radial esquerdo ou direito? Comparação da exposição à radiação em procedimentos coronarianos.

Para atravessar a membrana do stent foram empregados guias com alta carga na ponta (tip-load ≥ 12 g) e um microcateter angulado (Supercross 120°). A avaliação morfológica pós-intervenção foi feita mediante tomografia de coerência ótica e angioscopia. 

As técnicas foram executadas com sucesso em todos os modelos experimentais. Os guias de alto tipload permitiram uma penetração efetiva do recobrimento em menos de 60 segundos (Confianza Pro 12 e Infiltrac Plus 14). A fenestração simples gerou protrusão de material em direção ao óstio do ramo lateral, com uma redução luminal aproximada de 25%, situação que foi corrigida de forma eficaz por meio do implante adicional de um stent eluidor de fármacos com técnica Culotte, conseguindo uma melhora da área mínima luminal de até 8%. Resultados similares foram obtidos no ramo principal após a otimização com stent eluidor de fármacos depois do implante de duplo stent recoberto. 

Conclusões

Este estudo experimental demonstra que, diante de uma perfuração coronariana em bifurcação com exclusão de um ramo lateral, é tecnicamente factível restituir o fluxo com a utilização de guias de alto tip-load e, além disso, otimizar os resultados por meio de técnicas com stents eluidores de fármacos, como a Culotte. Embora se trate de cenários de laboratório, a factibilidade técnica observada sugere uma potencial aplicabilidade clínica em contextos de emergência. 

Título original: Bench Testing Analysis of Perforation Management in the Setting of Bifurcation Coronary Intervention.

Referência: Hemetsberger R, Maaroufi A, Hamzaraj K, Andreka J, Abdelghani M, Farhan S, Lootz D, Gollmer J, Mankerious N, Hengstenberg C, Johnson TW, Toth GG. Bench Testing Analysis of Perforation Management in the Setting of Bifurcation Coronary Intervention. Catheter Cardiovasc Interv. 2025 Dec 12. doi: 10.1002/ccd.70406. Epub ahead of print. PMID: 41387216.


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Dr. Omar Tupayachi
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Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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