O treinamento aeróbico de membros superiores se constitui em uma alternativa efetiva ao exercício de membros inferiores em contextos de doença arterial periférica?

A doença arterial periférica se associa a uma deterioração da capacidade funcional, uma redução da distância de caminhada e uma pior qualidade de vida, constituindo-se o exercício estruturado em uma recomendação de classe I nas diretrizes contemporâneas. Embora o tratamento aeróbico de membros inferiores represente a estratégia padrão, a claudicação intermitente limita a aderência de um número significativo de pacientes. Em tal contexto, o treinamento aeróbico de membros superiores tem sido proposto como uma alternativa. O objetivo desta revisão sistemática foi comparar os efeitos do exercício aeróbico de membros superiores versus membros inferiores no que se refere à capacidade funcional e outros parâmetros clinicamente relevantes em pacientes com doença arterial periférica. 

Características do estudo

Foi realizada uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados feita por pesquisadores de Faculdade de Fisioterapia e Reabilitação da Universidade de Hacettepe, em Ancara, na Turquia. Foram incluídos estudos que avaliaram programas de treinamento aeróbico de membros superiores e/ou inferiores em adultos com doença arterial periférica. Os desfechos primários foram a mudança na distância máxima de caminhada, a distância de caminhada livre de dor, o consumo pico de oxigênio e a capacidade funcional. Os desfechos secundários incluíram a qualidade de vida, o nível de atividade física, variáveis hemodinâmicas e indicadores inflamatórios. 

Foram analisados dez ensaios clínicos randomizados que incluíram um total de 655 pacientes, dentre os quais 77 por cento eram homens, com uma idade média compreendida entre 64 e 77 anos e um índice tornozelo-braço basal de 0,64 e 0,71. A duração dos programas de exercício variou entre seis e vinte e quatro semanas, com uma frequência de duas a três sessões semanais e uma duração de quarenta a setenta minutos por sessão. Os grupos controle receberam tratamento habitual, conselho médico e recomendações gerais de atividade física, sem treinamento supervisionado. O uso concomitante de cilostazol ou outros vasodilatadores periféricos não foi reportado de maneira sistemática, motivo pelo qual seu impacto não pôde ser analisado como possível fator de confusão. 

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Treinamento aeróbico de membros superiores na doença arterial periférica: impacto na distância de caminhada e na capacidade funcional

No tocante aos resultados, tanto o treinamento aeróbico de membros superiores quanto o de membros inferiores se associaram com melhoras significativas e comparáveis em relação à distância máxima de caminhada e à distância livre de dor em comparação com os grupo controle, com evidência estatisticamente significativa e sem diferenças consistentes entre as duas modalidades. 

Os incrementos absolutos na distância máxima de caminhada oscilaram entre cinquenta e duzentos metros, com magnitudes similares em ambos os tipos de exercício. O consumo pico de oxigênio aumentou de forma significativa com relação ao controle em ambos os grupos, com incrementos absolutos de dois a quatro mililitros por quilograma por minuto, equivalentes a aproximadamente dez a vinte por cento, sem ser demonstrada superioridade clara de uma modalidade em comparação com a outra. A capacidade funcional mostrou um padrão concordante. Também foram observadas reduções modestas da pressão arterial sistólica da frequência cardíaca em repouso, sem diferenças relevantes entre modalidades. 

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A qualidade de vida melhorou em ambos os grupos, especialmente nos domínios de função física e dor. Não foram evidenciadas melhoras consistentes nos níveis de atividade física diária nem mudanças significativas nos marcadores inflamatórios sistêmicos. 

Conclusão: comparação entre treinamento de membros superiores e inferiores e seus benefícios clínicos

Em conclusão, esta revisão sistemática demonstra que o treinamento aeróbico de membros superiores não é inferior ao treinamento de membros inferiores para melhorar a distância de caminhada, a capacidade funcional, o consumo pico de oxigênio e a qualidade de vida em pacientes com doença arterial periférica. Devido ao fato de a claudicação intermitente limitar a tolerância e a aderência ao exercício de membros inferiores, o treinamento de membros superiores surge como uma alternativa terapêutica eficaz, com o potencial de favorecer a continuidade da prática de exercícios em uma população com alto risco cardiovascular. 


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