Oclusão do forame oval a longo prazo em AVC criptogênico

Ocluir um forame oval patente em um paciente que apresenta um AVC criptogênico é um padrão de tratamento. Há, no entanto, muito poucos dados sobre a evolução destes pacientes a longo prazo.

DEFENSE-PFO: el cierre FOP con ciertas características disminuye eventos combinados y strokeO objetivo deste trabalho foi determinar em seguimento de mais de 10 anos os eventos clínicos (morte, eventos isquêmicos ou hemorrágicos) após a oclusão do forame oval.

 

O estudo incluiu 201 pacientes consecutivos (idade média de 47 ± 12, 51% de mulheres) submetidos a oclusão do forame oval patente no contexto de um AVC criptogênico (AVC: 76%, acidente isquêmico transitório: 32%, embolia sistêmica: 1%). A informação sobre eventos isquêmicos e hemorrágicos, bem como a medicação antitrombótica pôde ser resgatada em uma média de seguimento de 12 anos (intervalo de 10 a 17 anos) e o seguimento chegou a termo em 96% da população.


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O dispositivo de oclusão foi implantado com sucesso em todos os casos, observando-se um shunt residual em 3,3% dos pacientes no seguimento ecocardiográfico.

 

13 pacientes faleceram no seguimento (todos por causas não cardíacas), 2 apresentaram AVC não incapacitante e 6 apresentaram acidentes isquêmicos transitórios (0,08 AVC/100 pacientes/ano).

 

15% da coorte apresentava história de trombofilia, fator que tendeu a se associar a mais eventos isquêmicos no seguimento (p = 0,067).


Leia também: Qual a importância da insuficiência tricúspide associada ao TAVI?


Os eventos hemorrágicos ocorreram em 13 pacientes, dos quais 4 foram sangramentos maiores (intracranianos). Todos eles estavam sob aspirina no momento do sangramento.

 

Um total de 42 pacientes suspendeu o tratamento antitrombótico em uma média de 6 meses após a oclusão do forame oval e nenhum deles apresentou eventos (isquêmicos ou hemorrágicos) após um seguimento de 10 ± 4 anos.

 

Conclusão

A oclusão do forame oval se associou a uma taxa muito baixa de eventos isquêmicos (< 1% de AVC) no seguimento que superou os 10 anos. Os sangramentos maiores ocorreram em 2% da população (todos se encontravam com tratamento antiagregante).

 

Aqueles pacientes que suspenderam completamente a medicação antitrombótica (a enorme maioria no primeiro ano após a oclusão do forame) não apresentaram eventos isquêmicos ou hemorrágicos neste seguimento de longo prazo.

 

Título original: Long-Term Follow-Up After Closure of Patent Foramen Ovale in Patients With Cryptogenic Embolism.

Referência: Jérôme Wintzer-Wehekind et al. J Am Coll Cardiol 2019;73:278–87.


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